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Paris pode esperar


Pensem num filme leve, simples, daquele sem pretensão alguma, mas que vai nos cativando a cada cena e nos envolvendo a ponto de nos esquecermos da vida real pelo menos por 90 minutos, tempo que ele dura na telinha. Daquele tipo que nos relaxa à beça, mas, ao mesmo tempo, traz reflexões importantes.

A personagem Anne é casada com o badalado produtor de cinema Michael. Ele, sempre muito ocupado, casamento de 20 anos, a filha do casal já saiu de casa; e Anne sempre vivendo à margem do marido, esperando que ele encontre alguns instantes livres em sua agitada agenda para ficar com ela, embora ele diga que a ama a cada 5 minutos.

Em uma das viagens de trabalho à Cannes, ela o acompanha e de lá darão uma esticada para ficarem um tempo juntos. Mas, devido a um imprevisto, ela não pode embarcar no mesmo momento que ele, e acaba indo de Cannes a Paris com um amigo e sócio de seu marido, Jacques, de carro.

Jacques tem lá seus encantos. É um francês que sabe viver a vida como ninguém. É dessas pessoas que curtem o momento, que valorizam os pequenos detalhes, os transformando em momentos gloriosos.

A viagem que deveria durar algumas horas, se estende consideravelmente e é aí que o filme acontece. Jacques faz inúmeras paradas, cada hora por um motivo diferente, e essa pequena jornada será um divisor de águas na vida de ambos.

Destaque para a fotografia e lindas paisagens pelo Sul da França, sem falar na incrível gastronomia francesa, tão lindamente mostrada no filme. 

O filme não tem preocupação de se aprofundar em nada, mas ele dá uns toques sutis, ele insinua. Mostra que devemos aproveitar os pequenos prazeres. E entendo que essa pequena viagem para Anne é na verdade uma jornada para dentro de si mesma, resgatando a mulher incrível, interessante e belíssima que ela é, mas que ela não se lembrava mais.

Um filme para ser degustado, apreciado, assim como os personagens degustam tantos menus e vinhos franceses. Paris, no título, poderia ser totalmente substituído por qualquer outra palavra...de fato, tudo e qualquer coisa pode esperar, quando a gente decide viver de verdade, quando a prioridade é a gana de vida, todo o resto é secundário.

Ensina-nos a ver o charme da vida, das relações, e a leveza de não termos que seguir scripts pré-determinados. Atenta-nos ao fato de sempre termos escolhas melhores, a sermos leais a nossas paixões de verdade e a viver a vida sem culpa.

Acho que a mensagem que fica é que sempre há caminhos diferentes e alternativos, que podem ser divertidos. Sem, em nenhum momento, esquecer “o quão frágil é a vida humana, e o quanto pode ser doloroso e ao mesmo tempo extraordinário estar vivo”.

Depois de assistirem ao filme, poderiam responder a uma perguntinha?
— O que te faz dançar pela rua?

Boa sessão!

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