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Nada é por acaso


Não posso ser hipócrita e dizer que sou uma pessoa tranquila, de bem com a vida e que nunca reclama de nada. Seria feio e nada sincero. Eu sou dessas pessoas que passam perrengues e questionam o universo do porquê, naquele tom melodramático como se a minha vida dependesse daquela resposta, dependesse de resoluções rápidas – e indolores.

Sempre que passo por alguma situação que não gosto e não entendo, eu encho os ouvidos Dele com intermináveis interrogações. É um tanto ridículo da minha parte, porque eu não escuto aquilo mesmo que prego. Vira e mexe recebo mensagens de pessoas que, assim como eu, não entendem determinada situação pela qual estão passando e, em todas as vezes, eu calmamente lhes peço que respirem fundo, que aproveitem aquele momento porque tudo é aprendizado, que agora pode doer um tantinho, mas lá na frente será possível entender porque essa fase tão difícil barra chata barra ruim barra sofrível barra desesperadora barra insira aqui o adjetivo que você preferir.

Mas quando se trata de mim, quando se trata da minha humilde vida, da minha história, dos meus problemas... Eu simplesmente saio chorando, gritando, questionando, odiando e, enfim, não é nada bonito — e certamente não sirvo como exemplo (daquele jeito exemplar, saca?).

Eu resolvi contar isso tudo porque hoje caiu uma ficha do porquê eu precisei sentir todas aquelas crises de ansiedade tão doloridas lá em dois mil e quinze. Hoje eu entendi porque precisei tomar aquele remédio, frequentar aquela psicóloga, ter aquela conversa com meu chefe. Hoje eu entendi que eu precisei passar por tudo aquilo não só para chegar onde cheguei, mas para dar valor à isso que venho conquistando e saber que nada vem de mão beijada, que é preciso sofrer um pouco e tomar as rédeas da vida para conseguir chegar ao lugar que se sonha, que se quer, que se almeja.

Hoje eu entendo, reconheço meus limites e sei perceber em meu corpo quando preciso tirar um tempo. Hoje eu entendo que, quando o caminho fica difícil, cabe só a mim escolher continuar a caminhada ou desistir, hoje eu sei que nem sempre a zona mais confortável é aquela que nos faz feliz e eu aprendi, nesse processo de mudança, o que vale a minha atenção e o que não merece o meu tempo.

Hoje caíram no meu colo as respostas de todos os porquês que emanei para Ele e para o universo, três anos atrás. É o tanto que caminhei, o tanto que amadureci, os amigos que conquistei e o autoconhecimento que adquiri. É isso, meus caros, cedo ou tarde, a gente passa a entender o porquê dos dias ruins – e quando descobrimos o riso pende solto, o coração pulsa afoito e a felicidade é quase permanente.

Nada é por acaso nessa vida.

Nada.

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