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Em mim


Afundo-me. Escorro para dentro de mim. Fecho-me na caverna do meu coração. Lá é quente, é seguro, é meu. Não posso mais viver assim. Preciso contemplar o sol, e a chuva, pois um não vive sem o outro.

Vivi sob o meu próprio céu sem estrelas por muito tempo. Preciso vê-las. Em minha imaginação, seu brilho há muito se foi. Agora resta um esboço no lugar onde estavam. Da porta da caverna já consigo contemplar o mundo lá fora. É vasto como o que tenho aqui dentro.

Guardei demais para mim, não mais.

Só que agora tenho pressa. Corro. Quero tudo para ontem. Atropelo-me. Tropeço e caio. Primeiro obstáculo. Tão focada no céu, não desviei do tronco no chão. Olho para o chão. Perco o por do sol. Não consigo mais caminhar.

Sento e choro.

A noite cai, e com ela chegam minhas antigas amigas, as estrelas. Elas vêm lembrar-me que viveram há milhares de anos, e continuam brilhando. “O que se faz em vida ecoa na eternidade”. Então levanto, e continuo caminhando. Sob as estrelas, um passo de cada vez.

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