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Sobre tudo o que a gente não foi


A gente poderia ter sido ter sido um par. Um para o outro. Outro reencontro, outro beijo na testa, outro dedo de café preto no fim da tarde. Quantas tardes a gente poderia ter tido? Infinito era a palavra que selava tua promessa. Eu ainda guardo tuas cartas e teus dedos embaraçados nas pontas do meu cabelo. Guardo o sabor amargo daquela nossa coragem em desafiar os conceitos de tempo e espaço pra criar um laço que nunca conhecesse o desatino. Mas você carregou para longe a tua ponta da corda e agora eu desafino. Tua voz foi firme quando pronunciou adeus. A gente poderia ter feito melodia, mas você abriu mão da minha poesia, e agora impera o silêncio.

A gente poderia ter sido um lar. Pousado num bairro do interior e feito ninho. Planejei te acordar de mansinho com o vai-e-vem dos dedos em tuas costas, do jeito que você gosta. Poderia ter tido um fim de semana na praia e um fim de vida na casa de jardim colorido que um dia a gente sonhou. Poderia ter sido abraço com gosto de eternidade em frente ao portão. Mais um dia me contando como foi o dia, mais uma noite sendo pedaço de mim. Mais ou menos assim como eu sempre imaginei: você ao lado para não temer o que vier pela frente. Mas o teu primeiro tropeço fez trapaça com meus planos. Nosso caminho virou desengano. Você poderia ter escolhido ficar comigo, mas escolheu ficar pra trás.

A gente poderia ter sido mar. Areia e sal brincando de completude num dia de sol qualquer. Poderia ter sido tua onda de calor lambendo meu corpo a se molhar. Melhor sexo, melhor nexo, melhor clareza. Tsunami de plena certeza de que esse é um mergulho sem volta. E então, nunca mais a gente saberia o que é viver na superfície. A gente poderia ter ido mais fundo. Ancorado em qualquer mundo onde nunca fosse preciso levantar velas outra vez. A gente poderia ter sido afago. Ter sido verdade.

Mas, no meio de tanta coisa bonita, você preferiu me afogar em saudade.


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