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A vida no depois


Falavam que o ensino fundamental era a pior parte. Não é criança nem adolescente, não se tem voz ativa, tem que seguir regras e são os anos mais longos da vida. No ensino médio iria melhorar.

Disseram que o ensino médio é desastroso quando se tem que ir pra rua a procura de emprego. Não se é mais tão adolescente, mas ainda não há aquelas responsabilidades de adulto. Trabalhar o dia inteiro, estudar a noite, fazer inúmeros trabalhos de assuntos que nunca se sentiu atração. Mas a faculdade é melhor, a gente só estuda aquilo que gosta.

A faculdade vem pra mostrar que dormir seis horas por noite é luxúria e que sim, o mesmo corpo pode ocupar dois lugares ao mesmo tempo, porque a gente precisa aprender a se multiplicar. Precisa aprender a multiplicar o dinheiro também, que ou mata a fome ou é deixado para as inúmeras cópias e impressões de trabalho. Mas a vida depois da formatura...ah, a vida melhora.

O salário ainda é baixo, pouca experiência. Você ainda não sabe de nada, faculdade não ensina muita coisa mesmo. Muito teórico, nada prático. Especialização? Talvez. Quantos anos de carteira assinada mesmo? Você é muito novo ainda pra entender do mundo dos negócios...Calma! Depois dos trinta melhora.

Depois das férias. Depois da dieta. Depois de vinte quilos perdidos. Depois de entrar na academia. Depois de conquistar um corpo malhado. Depois de um emprego com um salário alto. Depois de conseguir a tranquilidade de morar na praia. Depois de comprar um carro. Depois de comprar uma casa. Depois de ter uma boa poupança. Depois de ter filhos. Depois de ter netos. Depois.

E a gente vai vivendo depositando a felicidade nos depois da vida. Depois disso fica bom, depois daquilo a vida melhora. Depois eu vou ser feliz. Mas a gente esquece que o depois fica no futuro e a única forma de ser feliz é no tempo presente.


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