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Entre as linhas


Meu coração, não sei porquê,
Bate feliz quando te vê.
[Carinhoso - Pixinguinha]

Você me pede para esconder o riso e sentir o romantismo detrás das músicas antigas, cantaroladas na tua voz cheia de melodia. Você me escreve poesias no meio de uma rodovia que anda a passos lentos e eu nada mais faço do que admirar teu talento, com um sorriso diminuto no canto dos lábios. Entende, moço? Eu te imagino desde criança, quando sonhava acordada com príncipes encantados montados em cavalos alados e acreditava em happy enddings.

Eu te imaginei quando, de você, só sabia o nome. E te tenho ainda de mãos dadas com a incerteza e a incredulidade disso tudo, porque você, tal qual os príncipes encantados, fez parte daquilo que sonhei de olhos abertos e alma suspirando. Conto de fadas. Leitura pra menina dormir tranquila e alimentar sonhos inalcançáveis, daqueles que se firmam de tal forma que nos deixam inocentes pra sempre, sabe? E tem você em tempos difíceis, em dias turbulentos e cinzas, mais incerto do que nunca, distante, impossível. Você era pra ser só uma idealização minha, garoto. Um desejo desses que não se realiza. Se sonha, e pronto.

Então você me pede para esconder o riso e ver o romantismo. Você me ilustra nas tuas poesias e enche o ar com a tua voz pausada, recheada de orgulho pelo poema que fez. E me aninha nos braços com maestria, me rouba por uns minutos muitos, me invade e me faz tua. Me tira do chão, da rotina. Cala meus pensamentos, grita minha fala, me abraça. Respira e acalma e segura meu rosto entre as mãos e me olha como quem quer desvendar segredos...

Mergulha teu olho no meu e eu suspiro detrás das pálpebras fechadas. Te sorrio. Finjo que não escuto as entrelinhas, ajo como só te gostasse o suficiente e me visto de companhia, de amizade. (...), mas me calo. Ou me silencio com um riso desses que evitam acreditar no romantismo.

Que você sinta, garoto, as entrelinhas escondidas em todos os “eu te adoro também”.

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