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Superei você


Superei você.

Vi, por querer, uma foto tua e sorri internamente, com certo alívio, ao suspirar sozinha: superei você. Eu. Superei. Você. Assim, pausadamente. Delicadamente. É doce essa frase. É doce docíssima essa fase. Olhei você enquadrado numa fotografia e... Nada. Nadinha. Não senti o coração acelerar de saudade, não vi a sombra da incerteza, não ouvi a cor da saudade e muito menos apertei o play daquelas músicas de melodias tristes e letras lindas.

Não vou negar que, apesar da descoberta, eu nutro carinho imensurável por ti, mas eu temia que você jamais saísse aqui de dentro, temia que os detalhes nunca deixassem de fazer sentido e que a felicidade tivesse aquele cheiro de café recém coado por toda vida. Na verdade a felicidade ainda tem cheiro de café recém coado e continuará tendo cheiro de café recém coado por toda a vida, mas isso nada tem a ver contigo.

Eu te acompanho de escanteio.

Quero saber de você, quero saber se você está bem e se você ainda sofre de insônias, como vai o emprego novo, se a sorte está pendendo para o seu lado e se te fazem feliz. Me faz feliz te ver feliz. Quero que cuidem de ti com todo o zelo que eu quis cuidar, mas não pude. De fato, você nunca me deu espaço. Eu sufoquei e parti carregando na mala todos os sorrisos roubados, todos os segredos escondidos na cortina dos meus cabelos, todas as músicas de domingo, os seriados antigos, os filmes mais antigos ainda e velhos hábitos. Eu levei comigo o que era de melhor em mim.

Eu superei você, mas não me superei. Ainda sinto saudades de mim quando estive contigo...

Esse texto faz parte do livro "Como morrer todos os dias". Se quiser um exemplar autografadinho e todo cheio de amor, é só clicar aqui.

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