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Uma página do meu diário – O início


Às vezes a gente se esconde atrás do eu lírico, outras deixamos que o narrador conduza a narrativa enquanto ficamos de longe só observando, mas é que há histórias que só podem ser contadas em primeira pessoa, com a intensidade de páginas de um diário.

Era junho de 2017, eu descobri depressão.

Descobri junto da depressão, transtorno de ansiedade. Eu sempre ouvi as pessoas falando sobre depressão, mas nunca achei que me encaixasse nisso. De fato os meses antecedentes à descoberta foram difíceis. Era impossível não ficar triste, uma sensação de vazio a todo instante, neutralidade em momentos em que todo mundo sorria, crises de choro do nada em momentos típicos da rotina.
Eu sabia que alguma coisa não estava bem, mas não fazia questão do buraco em que estava imersa.
Acho que uma das coisas mais difíceis nesse momento é receber o diagnóstico e entender o porquê de tudo estar desmoronando. Após, as crises se intensificaram, eram várias em um dia só. A tristeza pareceu ter aumentado e um buraco no peito foi se abrindo consumindo todo o meu ser.

Eu lia muito sobre depressão antes de ter, lia sobre a luta das pessoas, lia sobre relatos e vivências difíceis. Sobre como o assunto ainda era um tabu pra sociedade e como ainda não era encarada como uma doença séria e que precisava ser tratada. Mas eu senti falta de ver gente próxima se abrindo e contando suas histórias.

É fato: a gente se identifica na fraqueza do outro e na vitória do outro a gente se fortalece. Eu senti falta de ter com quem conversar e trocar experiências, foi aí que eu comecei a me abrir e me expor. Nunca tratei do assunto como tabu. Sempre falei abertamente sobre, sempre deixei claro pra quem quisesse saber pelo o que estava passando, os remédios que tomava e tomo, sobre a terapia e sobre todo o tratamento. Foi aí que eu reconheci pessoas. Reconheci pessoas da minha família, do meu círculo de amizades, do meu trabalho... todas elas passavam pelo mesmo que eu e ninguém nunca falou nada sobre.

É por isso que esse texto é uma página de diário. Não é literatura, não é poesia. É vida real sendo contada por gente real — que sofre, que luta e que encara vários leões, mas que está aberta pra falar sobre e encorajar outras tantas a se abrir também.

Obs.: As páginas estão se somando, esse foi só o início.


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