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Você nunca disse que errou


Nós havíamos marcado uma balada, as condições do dia indicavam que cumpriríamos o combinado. Você mudou de ideia e não quis mais ir para trabalhar. Então o descompasso aconteceu. A voz alterou, aumentou o tom. Eu devia ter ido embora naquele instante em que houve o grito. A dúvida de que o que eu faria sem você na balada, que contigo lá eu não faria, foi demais. Infantilidade demais. Era só para ser algo nosso, e acabou sendo um dia horrível. Devia ter voltado pra casa no mesmo instante. Você agiu como adolescente mimada que não podia ser contrariada. Mudando os planos conforme sua cabeça e ai de mim se não os seguisse.

Devia ter ido embora, porque a noite os gritos voltariam. De novo porque não fiz do seu jeito, nem na sua hora. Você devia namorar consigo mesma. Porque há tempos não havia lugar pra mim. Nem pro meu jeito de fazer as coisas. Nem para a maneira que eu pensava.

A idade a mais te dava o gosto de me dizer o que eu devia, o que eu podia e que eu era jovem demais para me decidir sozinha. Enquanto eu é que queria mais, algo mais sério. E um espaço onde eu pudesse ser eu mesma, sem medo de te contrariar. Contudo, você escapava pelos dedos.

Escorregadia, só que de uma forma, algumas vezes doce, num jeito fácil de me ludibriar. Parecia até dar esperanças de que nos encontraríamos no meio do caminho. Mas não era bem isso que você tinha em mente.

Tentei entender, tentei muito. E aos poucos fui me livrando das culpas e do peso de querer carregar você no colo. Da vontade de cuidar das suas feridas. Eu me levei de volta pra mim.

E quando você apareceu, tempos depois, foi mais para livrar sua consciência e para confirmar pra ti mesma que esteve sempre certa. Do que para consertar algo quebrado entre nós. Mas, não se engana, não, guria. No meio de tudo o que vivemos, idade nunca disse nada mais do que tempo corrido no relógio. Porque maturidade é reconhecer nossos próprios erros.

E, pra mim, você nunca disse que errou.

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