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Há tempos não sentia saudade tua


Me mostre um caminho agora
Um jeito de estar sem você
[Dona Cila - Maria Gadu]

Não lembro quanto tempo faz desde que te escrevi a última vez. Somam-se quase seis anos, desde que te lancei feito livro e, sendo assim, quase o mesmo tempo que não sai uma saudade dessas, bonitas, por aqui... É um bocado estranho, amigo, mas raramente te vejo em sonhos — acordados ou não. Acho que, finalmente, te deixei partir e assim você fez, como se isso fosse realmente melhor para ambos (e talvez até seja).

Nesses dias de confusão e bagunça aqui dentro, andei pensando em você, de um jeito um pouco torto: nossa, faz tempo que não lembro do Dan. E então me fiz lembrar, doce como deve ser, mas com um mecanismo todo errado, entende? A lembrança deveria simplesmente vir, não deveria ser forçada a acontecer. Fiquei mal uns três ou quatro dias, amigo, mas logo a rotina me consumiu o e as lembranças voltaram para o baú, cheias de poeira que mal tive tempo de limpar.

Para acalmar a bagunça daqui, dei o play n'algumas músicas salvas no Spotify — nas minhas músicas feitas de flor. E então Roberta Campos invadiu meus ouvidos sensíveis com uma ferocidade fora do comum. Os olhos ficaram rasos d'água, a saudade evaporou dos poros e te lembrei de forma doce e involuntária, como deve ser. Aproveitei cada minúcia de memória que saía de dentro de mim, seja como um riso incontido ou como o sal que escorre pelo rosto, um pouco tímido por causa da plateia que me ronda nessa rotina louca.

Estou leve, amigo, feito o dente-de-leão que assoprei dia desses, pedindo para te levar um pouco da saudade que minguava e pedindo para as tuas lembranças não escaparem como me escapa. Acho que um pedaço desse tanto querer chegou à níveis estratosféricos e te tocou aí em cima, nesse céu que hoje é tua morada.


Obrigada por vir e acalmar esse coração bagunçado.

A saudade, de fato, só se aquieta.
[30 de janeiro, dia da saudade]



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