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Sobra espaço


Já são onze e tanto da noite, meus olhos, ainda arregalados, fitam a luz amarela do abajur. Abri outro maço de cigarro. Já tinha tempo que isso não acontecia. Lembro-me de, pela manhã certo dia, me deparar com um jardim florido. Cheio de amor. Foi quando me despedi do uísque e do tabaco.

Após afastar-me de ambos, me senti em paz comigo. Morando em mim, sabe? Logo eu que adoro uma rotina. De entender tudo, detalhe por detalhe. Tenho sido pega pelas inconstâncias da solidão. Tudo o que entra por aqui, vem em grandes proporções. E, desse tanto, parece que sua falta ainda é o que pesa mais.

Você disse adeus. Eu, disse também. Contudo... Que despedida foi essa que não para de me apetecer? Nessa insistência tanta de bater à porta. De querer entrar pela janela. Essa ânsia por domar-me o coração. Para quê?

Sentada aqui nesta poltrona, com um livro debruçado no colo, finjo enganar a dor e visto um sorriso de canto.

Te aquieta, solidão. Tem espaço demais neste lugar. Não precisa de tanto barulho. Prometo receber-te, se me prometeres não se alongar neste doce lar.

Está tudo bem, em ir e voltar.

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