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Fogo e pólvora

Meio segredo, meio não, mas a vida tem disso. A gente se encoraja a fazer loucuras que não faríamos sem a certeza de que valeria a pena, pois bem, eu acertei! Valeu — e muito.

Eu, que nem tomo café, deixei-o esfriar quando, em um dia comum, me encorajei a concretizar um desejo. Tava parada, sentada, motiva e encorajada. Acabara de acontecer, de improviso! Começou dando certo. E o café junto, frio, mas mantendo o corpo de pé. Eu comecei a sonhar bem ali, tanto tempo depois, mal me lembrava eu das borboletas no estômago quando sentia o perfume. Ressuscitei-me. Planejei.

Fui.

Ele mal sabia que eu o faria. Acho até que não esperava que o fizesse. Instigou-me a alma arrancando-me sonhos e suspiros. Lá se foi! Que bom viver um (re)encontro! Conte-me mais. Meu desejo já era de prolongar a estadia. E aquela censura dissimulada que faz o tempo arrastar-se de trás pra frente.

E, então, uma música… discretamente escolhida a dedo, calculada desde o começo. Calaram-se os dois. Silêncio e seus dizeres silenciosos. Sabem que a chance é única e entendem quase que por telepatia que a vida é as pessoas com quem esbarramos e sentimos que é pra ser.

Feito.

Frio. Roupas demais. O inverno quase ausente dentro daquele recinto. O suor escorria como todo o resto — sapatos, zíperes, botões e tudo. O desejo frenético e impactante era maior do que qualquer coisa que se fazia presente ali. Anseio de criar dias nas horas, enquanto isso, as gentilezas ecoavam a música que, naquela hora, mal se ouvia.

A magia, no entanto, acontecia à medida que ele compreendia  — pasmado — o que (re)nascia em mim. Reconheceu a respiração que era mais ofegante do que ele pôde imaginar. Era um do outro, fogo e ar.

Sei da idade, sei do nome, sei do que escuta, do que mais gosta e do que ri. Sei das graças, das gentilezas. Sei de como ganha a vida e de como a ama. Sei do sonho e o quanto luta por ele. Sei das intimidades. Sei do suficiente para que a cumplicidade e pr'aquele (re)encontro se tornem eternos num estilhaço único de eternidade. E, dele, ninguém vai saber. Só eu.

Eu só precisava agradecer a ele por toda a gentileza. Foi como se tivesse despertado e redescoberto a sorte…

… Não tarde demais.

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