icones sociais

bem me quero


Roubei a flor do jardim do vizinho. Era uma flor branca, dessas com nome de personagem de quadrinhos. Olhei-a entre meus dedos, tão pequena e frágil. E recheada de pétalas. O perfume atiçava minha rinite, mas, entre um espirro e outro, continuei com a flor nas mãos.

memórias de gaveta



Encontrei uma foto sua escondida no fundo de uma gaveta. Não, eu não estava procurando por ela, juro! Apareceu de repente, como um soco no estômago... Você estava lindo aquele dia, com os seus olhos azuis refletindo, exatamente, a cor daquele mar imenso. Tem tanta coisa tatuada na tua íris, boy... É, digo, era a minha foto preferida de nós dois. Você despido e transparente, rasgando o rosto ao meio com a intensidade do teu sorriso e eu ali, escondida atrás de um óculos de sol levemente maior que o meu rosto, com o riso imenso — reflexo da tua felicidade.

senti tua falta


Sonhei com você essa noite.

Você tocou minha campainha em uma tarde nublada de domingo. Abri a porta e levei um susto ao ver teu rosto sorridente, tremi dos pés a cabeça. Com a cabeça pendida pr’um lado e a face de quem não vale nada, tu me puxastes para um abraço apertado que, chocada, não correspondi.

— Não vai me convidar para entrar?

Para a moça guerreira.



A moça toma seu café da manhã sem pressa alguma. Olha pelo vidro do carro, com a cabeça cheia de problemas. Todos ao redor a chamam de louca e, talvez, ela tivesse mesmo algo de loucura. Mas te adianto, poucos conheceriam isso. Não é qualquer um que consegue passar por suas armaduras e conhecê-la verdadeiramente. Ela sorri para todos, com uma malícia contida. Você não sabe, mas enquanto você fala, fala, fala, fala e argumenta, cheio de si e achando-se dono do mundo, ela espera. Calma e quieta. Paciente. E então te sorri e te desmorona. Levanta, com graça e é sucinta naquilo que diz. E você se rende. E ela vence.

há saudade em tudo que vejo

"Eu sou um aeroporto. 
Chegadas e partidas são a única certeza na minha vida".
(Lucas Silveira)

Eu vi a saudade da janela.

Ela estava camuflada no concreto de São Paulo, um pouco escondida na névoa poluída que sombreava, levemente, a cidade. A medida que tudo lá embaixo ficava pequeno, a saudade ficava maior. Se agigantava em cada detalhe que estava ficando para trás e me diminuía um tanto mais. Eu me senti esmagada contra a poltrona, pequena diante das imensidões que via da janela. A saudade era a maior delas.

Tudo virou uma coisa só.

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