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TENTATIVA E ERRO


Somei mais um início de texto. Vou chegar ao fim, penso, e quase desisto. Confesso que tentei escrever linha debaixo de linha, falar pouco e dizer nada. Ou tudo. Depende. Vê, sempre depende. E as imagens jorram todas, duma só vez, em flashes rápidos na minha mente, dando-me mil e uma possibilidades de escrever e, nem assim, me conformo. É o tal do quê, que sempre falta.

Uma preposição que não se encaixa entre uma frase e outra, tão curto é o espaço de tempo que tenho nas mãos. Houve umas frases azuis, umas borboletas no estômago, uma mão trêmula segurando um copo de chope e muitos mistérios escondidos numa água clara, verde-azul, que eu olhava — e olhava — através da cortina dos meus cabelos, que escondiam toda a minha timidez. Palavras muitas, braço de abraço e um silêncio bom. Existem silêncios que não deveriam ser quebrados, tão cheios de malícias inocentes, de crimes guardados e pecados escondidos. Se-gre-do.

E teve também umas frases roubadas, arquivadas, de tão doces e lindas que são. Admiração secreta minha. Leitura repetida, sempre que dá vontade e uma boa surpresa ao ser presenteada com umas dessas frases soltas e, agora, quase que me confesso, que me escapo. Contei uma vez que vivo brigando comigo mesma e tive um minuto de discussão entre a Maria e a Fernanda, uma tão mais reservada, outra tão mais falante. Acredite, eu também falo demais.

E entre ponderar se ganha uma ou outra, eu decido ser conjunta. Tão mais eu como nunca fora, porque é fácil demais ser eu mesma, sem máscaras e sorrisos forçados. Simples, como caminhar abraçando o frio, entre risos de crianças, debaixo de um céu degradê de azuis e laranjas, num fim de tarde dominical.


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