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a vida é uma eterna balança


Nunca quis de fato crescer. Sempre tive medo das incertezas que o futuro me trazia... Medo de nunca ser boa o suficiente.

Eu tinha oito anos, lembro bem. Era um daqueles momentos constrangedores que a gente nunca sabe direito o que fazer. Eles cantavam parabéns com tanta veemência que eu me perguntava se realmente significava tudo aquilo. Não entendia quase nada ainda, mas já conseguia perceber que muitos deles, apesar da euforia, não eram felizes em suas vidas... Eu seria?

Sempre me comparei demais com os outros e tive uma dificuldade enorme de me perceber como única e exclusiva na minha própria evolução. A verdade é que nunca foi me falado que eu estava aqui pra evoluir e que meus erros seriam parte do meu processo. Sempre vi os erros como algo, obviamente, errado e quando errava vivia me cobrando demais... Eu não seria boa o suficiente quando fosse adulta.

Por mais que seja linda e encantadora, felizmente a história do Peter Pen é pura magia, ninguém consegue parar na infância. Até porque se parássemos não haveria evolução.

Evidentemente fui crescendo. Vida adulta traz boletos, algumas contas atrasadas e saldo bancário nem tão satisfatório assim. Mas a maior verdade é que, nos últimos vinte e dois patinhos na lagoa, muita coisa aconteceu para que eu me tornasse essa pessoa de hoje. E saindo daquela visão das oito primaveras recentes completadas, eu tenho conseguido dar conta de tanta coisa que volta e meia me perco em mim.

A gente tem que trabalhar doente, enfrentar dias chuvosos para atravessar a cidade, suportar a falta de grana no fim do mês, os tantos boletos que não param de chegar. E, por vezes, a gente tem que enfrentar tudo isso com um sorriso no rosto, porque se permitir a visita de uma ou duas lágrimas aos nossos olhos é capaz de deixarmos a peteca cair.

À medida que vamos crescendo, vamos aprendendo o equilíbrio tanto visto nos semáforos e poucos circos frequentados na infância e percebemos que, com treino e esforço, é possível sim que qualquer mero mortal se torne um equilibrista. A nossa vida é uma eterna balança.

Talvez eu ainda não saiba tanto quanto queira e esteja iniciando a traçar o caminho desejado a ser seguido. É bem capaz de faltar algumas tantas pedras a serem enfrentadas, em contrapartida a vida me preparou para ser dura e confrontar as adversidades que chegam a toda hora – sejam boletos atrasados ou dias inteiros de chuva forte.

Por mais que pareça difícil, crescer tem seus encantos. Tem amores – graças a Deus! – correspondidos, tem amizades que se fazem eternas, tem recompensas de todas as noites mal dormidas, tem uma dificuldade e outra ali para nos lembrarmos que a zona de conforto nunca fez ninguém feliz.

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