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quando a saudade embala caminhos - parte 01


Ela se esquivou da solidão das noites escuras, vestida de coragem ultrapassou os medos, venceu certos obstáculos existentes dentro de sua mente, agarrou a mala, lançou algumas blusas amassadas e histórias passadas, um tênis surrado de tanto acompanhar a intensa rotina dos últimos meses, poucos pertences pessoais e deixou pra trás a necessaire que guardava suas maquiagens – ele o preferia assim, limpa, e ela aprendeu também.

Movida a uma valentia jamais vista, ela comprou a passagem mais barata para aquele curto trajeto – é bem verdade que ela nunca tinha o feito, não sabia por onde ir e o celular estava sem 3G, mas mesmo assim ela quis. Sentiu no peito a sensação de liberdade jamais conquistada desde que a partida dele se fez presente. Passou muitos meses, é certo, mas ela ainda tinha um quê naquele rapaz.

Durante todo o percurso ela tentou se lembrar das brigas que já não faziam mais sentido depois de tanto tempo – eram muitos mais meses separados do que juntos. Teve dificuldade pra lembrar o porquê das tantas reclamações se, na maioria das vezes, tudo parecia bem. Mas dizem que a gente esquece todas as partes ruins quando a saudade aperta – ela pode confirmar.

Dizia não mais amá-lo, não mais querê-lo, não mais sentir tudo aquilo que a movia tempos atrás. O sentimento ficou vago e deu espaço a diversas outras ocupações que a faziam completa, mas nunca foram o suficiente para preenchê-la como ele a preencheu.

Tentou alguns meios de aproximação e chegava cada vez mais perto. Ela o sentia cada vez mais presente a cada “oi” vindo da parte dele, mas havia passado tanto tempo que ela hesitou em falar.   Ela sabe bem que cresceu mais com a sua ausência, viveu coisas que jamais viveria ao seu lado e se transformou na mulher que jamais havia sonhado ser quando estava com ele. Hoje ela é forte, dona de si e de suas vontades. Antes ela era dele porque ela queria ser.

Ele mudou em todos os outros pontos que a incomodavam. Hoje é mais leve do que ela aparenta ser, hoje quebra todos os paradigmas que preenchia anteriormente. Mas ele não sabia do ataque de loucura (ou seria saudade?) que teria. Muito menos acreditaria que ela iria atravessar cidades para encontrá-lo depois de tanto tempo.

Talvez em algum momento do trajeto ela se arrependesse, mas acreditava fielmente nas histórias de amor com finais felizes. Eles já foram tanto e se deixaram pra permitir evolução, agora que cresceram...por que não?

E ela foi em busca do sim.



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