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Não tenho vergonha de falar sobre ele

Leia ao som de Cartas ao Remetente

Tem um tempo que só observo as coisas e deixo muitas vezes de agir. Algumas situações estão estagnadas aqui dentro. Não é que eu não sinta — sinto, e muito —, mas tenho me machucado e estou procurando a raiz de tudo isso. Sempre ouvi por aí que a gente não deve criar expectativas em relação as pessoas, mas é inevitável esperar algumas coisas das pessoas que estão mais próximas de nós, não é verdade? A gente deposita carinho e espera ao menos que, quando precisemos, elas estejam ali

Não sei se é porque estamos no meio do ano, ou porque eu tenho apresentado um quadro de ansiedade ou ainda porque eu simplesmente já não aguento muita coisa que tenho chorado mais do que o comum. Chorar sempre foi um ‘termômetro’ e sei que as coisas não vão bem. Na verdade, não iam.

Precisamos saber para onde apontar a nossa seta de prioridade e de onde devemos tirar. Não é fácil. Dói pra caramba quando a gente percebe que já não sabemos o que é prioridade. Depois de certo tempo, não somos mais a prioridade dos nossos pais. Mesmo que façamos tudo, movamos mundos e fundos para fazer com que aquele que está em nosso coração seja nossa prioridade, ele – ou ela – pode não nos colocar como prioridade em sua vida. Em algum momento seus amigos não vão te compreender e você vai se sentir sozinho. Parece algo triste demais para se pensar, mas é verdade. Alguns dias a gente se sente no limbo.

Uma vez eu ouvi que a gente deve gastar mais tempo com o que é prioridade e assim teremos tempo para todo o resto. Quando começamos a ficar sem tempo para as coisas é porque a prioridade está em algo que, na verdade, não é tão importante assim.

Sempre quis ser a prioridade de alguém. Ser aquela pessoa que é a primeira que vem na cabeça quando acordamos era algo que eu desejava ardentemente e fazia de tudo pra que isso acontecesse. Gastei horas e horas alimentando o ego de pessoas que hoje nem sequer lembram da minha existência e tudo o que restou foi um sentimento de fracasso. Eu ainda alimento esse desejo, ser a prioridade dos meus amigos era algo fundamental, até que muitos deles começaram a ser meio indiferentes.

Talvez algumas das palavras não tenham sido para me ferir, mas consegui perceber que não sou, nem serei, prioridade. Dói pra caramba pensar que a gente está sozinho. E é ai que as coisas começam a fazer sentido.

Tem Alguém que espera por nós desde sempre. Ele sempre nos colocou como prioridade e, muitas vezes, a gente nem se lembra disso. Não falo de nada abstrato aqui. É bem concreto, na verdade. Somos tão prioridade que, não importa o que façamos de ruim, Ele sempre nos perdoa. Já reparou que, quando tudo parece sem sentido, tudo o que queremos é alguém que nos pegue no colo?

Ele nos pega, mesmo que não vejamos. É estranhamente reconfortante chorar em Sua frente. Parece que a dor fica mais forte, mas, ao mesmo tempo, parece que ela vai saindo daquele lugar comprimido onde está.

A medida que vou ficando dependente d’Aquele que pode, de fato, me mostrar o que é prioridade na vida, começo a ter tempo para tudo. Aquilo que já noto que não é tão importante, faço questão de não ter tempo. Por consequência, vejo que aquela que vem logo em seguida, sou eu. Isso não acontece do dia pra noite, na verdade, demora anos. Estou no início de tudo.

Nasci agora para este mundo, mesmo que ele sempre estivesse na minha frente. Ainda surge e irão surgir muitas situações onde devemos ser fortes, mas quase nada já nos deixará triste a ponto de pensar em já não existir mais.

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