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Já não somos os mesmos


Eu sabia que tinha algo diferente e, por mais que minha intuição raramente me enganasse, dessa vez eu custei acreditar que ela estava certa. Foram os detalhes que entregaram, sabe? O tom da voz, a pressa em sair pela porta, o diálogo que foi ficando cada vez mais curto, a cumplicidade que deu lugar a estranheza.

É louco ver o quanto o amor se torna insuficiente quando uma relação já está fadada ao final. É triste notar que o outro vai deixando de ter a importância que sempre teve e dói ter que não mais sentir saudades; a ausência chega a ser alívio.

Quando todos os meus medos se tornaram reais, eu simplesmente decidi seguir.

Sei que não é justo quando uma parte deixa de sentir primeiro que a outra, mas a vida não é justa, não é mesmo? E... Bem, não acredito que cabe culpa a uma parte, apenas as coisas foram acontecendo, ou deixando de acontecer, e ficamos assim, “coisados.”

Ainda existe carinho, mas não é mais paixão. Ainda existe respeito, mas não tem mais admiração. Ainda existe cordialidade, mas a amizade se perdeu. Eu queria dizer que sinto muito, mas na realidade? Eu não sinto absolutamente nada. Não mais.

Vejo as fotografias e tento resgatar a felicidade que ali foi registrada, e encontro unicamente um alívio, sim, o alívio por ter acabado. Não estava mais legal, sabe? E mesmo sabendo de tudo isso, ainda tentei uma novo (re)começo. E foi aí que realmente eu tive a certeza de que já passávamos da hora do fim.

Sua presença se tornou tolerável. Enquanto estávamos em meio a outras pessoas realmente era como se nada tivesse mudado, mesmos sentindo o vazio e a estranheza, ainda assim estava “tudo bem”. Então, quando todos se foram, o silêncio se fez ensurdecedor. E eu não tive mais dúvidas.

Eu sei. Realmente os finais são uma droga. Me desculpe por não sentir tudo o que você está sentindo, mas acredito que pra mim acabou primeiro, sabe? Tentamos, Deus!, como tentamos. Mas agora realmente nos devemos essa despedida. Precisamos da ausência, não para sentir saudade, mas sim para preservar o pouco que ainda resta de uma história que foi linda, mas que se insistirmos, só iremos nos machucar ainda mais.

Eu sempre te disse que odeio finais.

Mas hoje sou grata ao nosso, porque já não somos iguais, e pretendo seguir com minhas diferenças por outros caminhos. Não prometo voltar um dia, mas também não nego que olharei para trás com nostalgia. A nostalgia de saber que um dia fomos nós, mas que para a minha própria sobrevivência, eu realmente preciso ser impar ao invés de par.

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