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A figura doce que ficou


Era um dia comum. A casa continuava vazia. E na minha cabeça ecoava silêncio. Na praça em frente a casa, deitei no banco e fiquei. Não foi uma, nem duas vezes que me peguei lembrando de como você parava o olhar em mim e mexia no meu cabelo. De como segurava minha mão. De como fazia questão de mostrar que éramos um par. De suas visitas, o que falar?

Não sei o que é que tinha em você, mas mesmo do seu lado eu sentia sua falta. Por vezes, imaginei que era por conta do silêncio. De como eu sentia que faltava um pouco de sintonia. Éramos muito diferentes, isso me dava um medo absurdo – eu não queria partir. Mas era fato, tinha algo em você que me mantinha ali.

E estive lá, pra você e pra tudo. Fiquei, mesmo precisando partir. Fiquei, mesmo com a distância que crescia entre a gente. Eu fiquei sempre, você via? Fiquei quando fui atrás. Pra gente se dar uma nova chance, e, sabe, não fiz isso muitas vezes. Não teve o efeito que queria. Então segui... segui meu rumo de uma forma que talvez você nem saiba.

Cê foi e ficou um buraco, sabe? Eu precisava, mas não sozinha, me reerguer. E toda semana antes das minhas sessões, atualizava meu diário. De como ficou a rotina longe de você. Era ruim não te ter.

Eu não expus nosso fim aos quatro cantos. Porque ali não conseguia nem expor a mim. Não quis gritar a fraqueza de ter ido atrás de alguém que entrou num trem sem volta. Mesmo sabendo que fraqueza teria sido negar que ainda te queria.

E não foi nem uma, nem duas vezes que me peguei lembrando de como você perdia os olhos em mim. E mexia no meu cabelo...

Essa figura doce, foi o que ficou.

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