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A realidade é um bichinho cruel, às vezes


A realidade é um bichinho cruel, às vezes. Está ali, escondida nos cantinhos, nos armários, nas gavetas, feito uma traça que vem roer nossos sonhos e destruir expectativas. Ontem eu vesti meu sonho, como faço todos os dias assim que acordo.

Saí felizona debaixo das cobertas, tomei café com algumas ideias. Quando sentei para continuar tricotando meus sonhos, vi um buraquinho no sonho que tinha vestido. Estava pequeno, mas estava ali. Um traço minúsculo da realidade. Cutuquei o buraco – abrindo-o ainda mais – e deixei de lado. Tentei ignorar, mas ele estava ali para todo mundo ver.

Tentei sonhar de novo, e encontrei outro buraquinho.

A traça estava destruindo o sonho que eu estava tricotando. Sentei e chorei, não vou mentir. Deu um trabalho danado esse, sabe? Porque não era só meu e quando vi, tinham pessoas desistindo à minha volta e despejando frases pesadas em cima de mim. O buraquinho ficou maior. Ficou visível. Era tudo mais traça, e menos traço. Um balde de água fria.

Sorte que meu coração é quente.

Eu deitei para dormir e enrolei a noite inteira. Passava das duas horas da madrugada quando senti o corpo se entregar. Levantei as seis, me enrolei no edredom até as sete. Tomei café, sem pressa – sentindo o sono chegar. Vesti meu sonho, vi as traças, os buracos. Sentei no chão, peguei agulha e linha, e voltei a costurar. Tapei os buraquinhos, dedetizei a casa, voltei a sonhar.


E eu espero, firmemente, que não desista de.

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