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O que você tem feito por você?


Eu sinto saudades do teatro.

Ano passado eu me aventurei no mundo dos palcos, mesmo sentindo uma vergonha imensa de tudo e de todos. Talvez tenha sido justamente isso que tenha me levado a encarar aquelas luzes amarelas e aquelas poltronas cheias. Não foi fácil no começo, mas foi libertador no final. Reconheci tanto de mim em cada improviso, reconheci tanto de mim em cada ensaio e me redescobri tantas e tantas vezes, que toda segunda-feira era um mistério para mim.

Nunca quis ser atriz (de fato). Eu só encarei aquelas pessoas, aquela professora e aqueles ensaios todos pelo desafio gigante que aquilo era, pelo que tanto que exigia de mim, pelo tanto que eu me descobria em cada aula. Cada segunda-feira era algo novo. Eu tentava me desligar dos rótulos; eu tentava me desligar das pessoas; tentava me desligar do que elas poderiam estar pensando, julgando, medindo, apontando. Aprendi a me jogar no ridículo – na melhor das intenções essa expressão. Aprendi a fazer sem pensar, sem ponderar, sem me criticar e me cobrar demais.

Era uma brincadeira gostosa, embora cheia de responsabilidade.

No início um martírio – como eu me cobrava ânimo para comparecer às aulas. Depois era um alívio quase terapêutico (e talvez tenha sido). Fui perdendo todas as armaduras mundanas que tinha vestido sem nem me dar conta; fui me sentindo livre; conhecendo pessoas e histórias. A imaginação fluía. O corpo se alongava e se soltava. E quanto mais solto o corpo ficava, mais eu me desamarrava de padrões, de estereótipos, de regrinhas bobas impostas por uma sociedade estranha.

Meio ano se passou e eu não fiz nada novo. Não consegui seguir no palco (mas pretendo voltar), não me movimentei em nada: corrida, caminhada, academia, alongamento, yoga, meditação. Nada me tirava da zona confortável; nada me exigia demais. Venho sentindo a musculatura atrofiar, a timidez me apoderar e o pensamento acelerar o tempo inteiro: voltei a preocupar-me demais com o que os outros pensam, com o que os outros agem, com o que os outros estão avaliando de mim.

Besteira, eu sei.

Tento me livrar desses sentimentos estranhos que, “de quando em vez”, me engolem. Sou capaz de ouvir a voz da Tati ecoar na memória, pedindo para eu me tornar expansiva naquele sofá pequeno e não me encolher num canto qualquer (como tenho feito). Erguer o queixo, abrir o peito, escancarar o sorriso e me mostrar pro mundo. As frases vêm fáceis na mente, mas não reflete nas ações. Sei lá.

Eu sinto falta do teatro.

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