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A difícil tarefa de se autoconhecer


Eu sempre quis me conhecer. Não saber quem eu era fazia com que eu me perdesse dentro de mim. Não me achava nos livros que lia, nos filmes que via, nas histórias que escrevia. Não me achava no canto do quarto, nem no centro da sala. Não me achei em nenhum grupo, não me identifiquei com nenhuma equipe. Não sabia para onde ia, mas, na verdade, eu nem sabia o que eu queria.

Vaguei dias, procurando encontrar algo que eu nem sabia por onde começar. Na realidade eu não sabia nem onde eu estava e muito menos o que explorava. Mas eu buscava, noites adentro eu vagava fuçando lá no interior quem me restava ser.

As pessoas sempre me pareceram confiantes demais em quem eram, enquanto eu ainda não conseguia decidir qual era a minha cor favorita. Nem cor, nem fruta, nem música...eu não sabia. Não sabia o que era capaz de me agradar e, inutilmente, seguia as preferências de outros na tentativa fracassada de me identificar, fazendo delas as minhas. Não foram e eu me frustrei.

Me frustrei ao acreditar que o erro estava em mim e que, provavelmente, eu era chata demais mesmo pra me agradar com o que era capaz de satisfazer multidões a fio. Eu não me contentava com nada e nada me preenchia. E essa constância de frustrações me colocou num ciclo sem fim onde eu me culpava por não ser como os demais, onde eu me cobrava por não saber do que gostar, onde eu me apunhalava por não saber quem eu era.

É que a gente vive buscando respostas nos outros pros buracos que a gente mesmo abre dentro do nosso peito. Eu não precisava de nada exterior, eu precisava de mim. Precisava voltar os olhos para a pessoa mais importante da minha vida e tentar enxergar as pequenas manifestações de um ser que se deixou por não ser ouvido.

Eu sempre fui, mas me perdi em meio a comparações desnecessárias. Sempre tive minhas preferências, mas tentava padronizar com as que eram mais “socialmente aceitas”. Eu deixei com que eu me diminuísse tanto ao ponto de me perder dentro do meu próprio ser, esquecendo de alimentar minha alma que, por tempos, vagou outros corpos tentando preencher o vazio do meu que só se esvaziou quando eu comecei a fugir de mim.


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