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Mínima rosa


Foi uma manhã de céu claro, imenso. Descoberto.

Não gosto da imensidão dos dias de sol, me sinto insignificante diante do mundo. Mínima. Minúscula. Entretanto, hoje me caiu bem.

Vesti-me dessa pequenez e me escondi em palmas de mãos frias, debaixo de folhas secas, dancei no vento e passei despercebida. Livre. Completamente livre de olhares acusadores, questionadores e olhares de pena. Desse último, carrego o mais profundo ódio — não gosto que sintam pena. Humano nenhum deve ser digno de pena.

É escolha minha, entenda.

Se não posso fugir, por que não sumir por uns segundos? Por que não me esconder na brisa de uma manhã fria, escorrer por entre os orvalhos da rosa que ainda não murchou? Me dói como estas se prendem ao último fio de carência, permanecem firmes até não ser mais cabível e despetalam-se de uma só vez, sem suavidade alguma, na primeira manhã de gelo.

É, talvez eu seja como uma simples rosa. E hoje, amanheceu frio. Deixo levar.




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