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Quanta vida a gente perde quando vive de mentira?


Já aconteceu alguma vez de você dormir com a janela aberta e soprar aquele vento gelado durante a madrugada? Você acorda com frio, mas diz pra si mesmo que está exagerando, porque não quer levantar pra pegar outro cobertor. Então seus pelos arrepiam e você pensa devagar: “vai passar”. Mas é só o seu corpo que está acomodado e quer voltar logo ao sono. Quando você insiste e consegue dormir novamente, sonha que está saindo da cama e pegando o cobertor quentinho que está no armário, tamanha é a vontade. Mas, ainda assim, prefere continuar dormindo com frio.

Você está sentindo frio agora? Levanta. Pega o cobertor. Me cansa o juízo só de pensar em quantas madrugadas a gente passa fazendo de conta que não há algo errado acontecendo, na esperança de que no outro dia tudo volte ao normal. Mas amanheceu e a janela continua aberta. E se essa janela for a do coração, meu amigo, então te garanto que não importa o quão brilhante esteja o sol: o calafrio na alma não vai passar.

Vai, abre os olhos. A cena real está aí em sua frente, ainda que o quarto esteja escuro. Você vai sentir ainda mais frio ao deixar a cama, os pés vão tocar o chão gelado, a falta de luz te fará esbarrar aqui ou ali. Vai ser bastante desconfortável, ah, se vai. Mas é no incômodo onde costuma se esconder a coragem. Quer um conselho? Se a bexiga estiver cheia, aproveita e vai logo ao banheiro. Volta pra cama leve, sente a lã em tua pele e dorme tranquilo. Dorme de verdade. E então para de sonhar com o que poderia ter sido melhor pra agora – e sonha com aquilo que pode ser melhor pra amanhã. E descansa: já, já, o dia nasce.

Às vezes a gente perde a noção de quanta vida a gente perde quando vive de mentira. 

E às vezes a gente finge que não sabe, mas meias-verdades não são verdade. A gente tenta fazer passar por despercebido, mas nem sempre companhia no travesseiro ao lado quer dizer calor. Nem sempre o moletom que mais gostamos nos protege das baixas temperaturas. Nem todo dia ensolarado pode curar nossos arrepios. Quantas madrugadas você está disposto a perder repetindo mentiras que nunca se tornarão verdade? Vai ser inteiro. Vai ter o intenso. Deixa esse mau costume de querer abraçar o que é pequeno demais pros teus braços. Abraça o que é igual. E o que é igual completa. E só completa o que é recíproco.

Certa vez, um dos maiores poetas da minha vida disse que “mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira”. Então, fala a verdade: se tiver frio aí dentro, troca de cobertor. Calça meias. Muda de quarto. A vida não para enquanto você adia mais uma vez a hora de acordar. Além disso, não se pode ser honesto com o outro antes de ser honesto consigo. O verão está chegando, mas coração é terra que possui suas próprias estações. Então encara o termômetro e vê a se temperatura está mesmo ideal. Não sei se você concorda, mas quando se trata de emoções, eu acho que frio só cai bem na barriga.


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