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SAUDADE NO PLURAL


Tem dias que eu sinto falta do tanto que a gente era amigo. De como a gente estendia as horas, de como a gente dividia um sonho antigo. Sinto falta do nosso bom dia de sorriso, das reclamações constantes e da troca ideia tão certeira... A gente se entendia nos pontos finais, a gente se abraçava em cada vírgula mal colocada ou em cada palavra bem pensada. Eu sinto falta do tanto que eu te conhecia e da forma como você invadia minha redoma e armadura tão bem cuidada e articulada, mas que não funcionava nada contigo. Eu nunca estive tão despida e vulnerável, mas nunca tinha me sentido tão segura de mim e das minhas vontades...

Eu não sei quando tudo virou do avesso. Não sei quando rompemos nosso nó... apertamos demais e ele arrebentou, ou afrouxamos e ele, suave, se desfez? Viramos estranhos e toda palavra parece farpa trocada, todo ponto final uma flecha lançada, toda vírgula uma briga esquisita. O hiato só cresce, percebe? Poderia enrolar umas frases ensaiadas e dizer mil mentiras: que não sinto falta, que está tudo bem, que sigo tranquila com essa distância, que não penso mais nos velhos tempos e tampouco sinto saudades (assim, no plural). Mas eu cansei de imaginar mentiras, sabe?

Poderia te chamar para um papo reto, poderia te encher com meu falatório incessante sobre todas as coisas que ensaiei dizer e não digo... Ensaiei abrir tua janela uma montoeira de vezes, e percebi que as coisas tinham mudado quando eu não sabia mais a cor da tua fotografia. Meus olhos passeavam pelos contatos sem sequer te reconhecer... Antes eu sabia teu humor só pelo jeito que você escrevia bom dia, agora... Sei lá, tudo se perdeu. Viramos dois estranhos que se conheciam bem demais e tem dias que isso machuca um tanto, sabe? As saudades vem de mansinho, sem eu nem me dar conta. Quando vejo, tô chovendo você por todos os lados, tô chovendo um pouco da gente, porque tem muito que fica quando tudo se vai...

Tem dias que sinto falta de quando a gente era amigo e ensaio te chamar para um papo reto, te enchendo com um falatório incessante como nos velhos tempos. Mas tudo virou do avesso. Não mais te reconheço entre as tantas fotografias que ilustram os meus contatos, e não sei mais interpretar o teu humor através do teu bom dia... Talvez por que sobre hiato e falte mais contato. Por ora (de novo, outra vez) sigo daqui, lembrando de quando tudo fazia sentido, de quando tudo fazia sentir...

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