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De longe parece fácil enfrentá-lo


Estou aqui, parada, estática, bem na frente dele. Inerte, sem conseguir esboçar nenhum movimento. Apreensiva e paralisada, olhando fixamente para ele. Encaro-o com certa curiosidade e medo na mesma proporção. Confesso que, de longe, parecia mais fácil enfrentá-lo. À certa distância, ele aparentava ser bem menos imponente. Achei que eu fosse capaz. Cheguei a acreditar que eu conseguiria.

Agora aqui, fazendo fronteira com ele, minhas pernas começam a tremer e, embora com uma vontade imensa de escalar este muro e chegar ao outro lado, um interesse enorme em saber o que tem do lado de lá, eu travo. Simplesmente fico imobilizada.

Esse muro é alto demais. Assusta. Põe medo. Impõe respeito. Tornou-se obstáculo. E se eu me machucar quando pular? E se do lado de lá não tiver nada assim tão interessante que justifique tamanho risco? Todos os arranhões terão valido a pena? E se eu quiser voltar para o lado de cá e não conseguir mais atalhos?

Queria garantias, ter ao menos um tiquinho de certeza de que valerá a pena. Mas quem disse que a vida dá garantia de qualquer coisa, né?

Esse muro representa o limite da zona de conforto. Aquela divisa entre o ambiente controlado e seguro, e tudo o que precisa ainda ser explorado e descoberto. Precisamos transpôr, nem que seja para chegar do lado de lá e descobrir que o que queríamos mesmo estava era do lado de cá, onde já estávamos desde sempre, mas talvez não teríamos descoberto se não tivéssemos desenraizado daqui um pouco.

Mas essa viagem até o lado de lá, às vezes, pode nos surpreender e descobrirmos que tem sim coisas bacanas do outro lado. Pode ser também que do lado de lá tenha outro muro que leva a outro muro para ser escalado, mostrando que a jornada será um bocado mais longa do que poderíamos supor ou imaginar, até entendermos alguma coisa ou chegarmos a qualquer conclusão.

Fato é que muros são marcos, divisores de água. Existem para demarcar territórios. E se quisermos explorar novos horizontes, temos que transpô-los.

Portanto, se eu pudesse pedir algo agora, se somente um pedido a mim fosse concedido, pediria, sem a menor sombra de dúvidas, bastante firmeza nos braços e pernas. Que eles não esmoreçam, não fiquem trêmulos, porque quero estar apta e hábil para escalar todos os muros que eu cruzar. Preciso muito espiar o que tem do lado de lá!

 O que há além destas muralhas que me cercam...

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