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Quando tudo para de fazer sentido


Estranhamente, foi no exato momento em que me vi mais perdida, desgovernada e desorientada, que comecei a me reencontrar, a me trazer de volta. Quando tudo parou de fazer sentido, foi como se o real sentido de tudo tivesse se materializado na minha frente e gritasse para mim: - venha, venha me buscar, estou bem aqui, a um passo de onde você está agora.

Quando tudo ficou insosso, sem sal, sem sabor, era naquele momento que tudo demandava um tanto de tempero extra. Quando tudo perdeu a cor e o brilho, foi então que me vi obrigada a procurar meu próprio arco-íris. Quando tudo parecia dar errado, eram as coisas certas sendo escritas em linhas desordenadas (só para citar um clichê, by the way).

Quando as portas foram se fechando, uma a uma, e os ciclos encerrando-se unzinho após outro, era o tempo finalizando por mim aquilo que eu já deveria ter terminado há séculos, mas continuava arrastando a passos lentos, por preguiça ou falta de coragem de encerrar.

Quando eu fazia de conta que estava tudo bem, fingindo uma certa ordem que de fato não existia, sufocando discretamente o que estava aqui dentro, era exatamente ali que os sinais ficavam gritantes para mim: um atrás do outro, aqueles recados indiretos e, às vezes, super diretos que cruzam nosso caminho, fazendo-nos enxergar aquilo que a gente finge não ver, forçando-nos a parar de ignorar aquilo que já não dá mais para esconder, obrigando-nos a lembrar aquilo que a gente não esquece nunca.

Quando achei que era dona da situação, que estava literalmente no controle, eis que os eventos começaram a acontecer contra minha vontade e sem meu consentimento, esfregando de uma vez por todas na minha cara que eu não estou no controle de absolutamente nada, e que neste jogo que a gente joga somos mesmo coadjuvantes, nunca protagonistas.

E, finalmente, quando achei que já estava bom, que tinha acabado, que era o fim da linha, que já tinha tido minhas chances, meus ápices, meus momentos, que já tinha vivido praticamente tudo que era possível... Eis que você surge em minha vida, (re)aparece do nada, como que para atestar a premissa de que existe sempre algo ainda por vir, que há tantas formas de amor, tantos jeitos de amar e que somos eternos aprendizes na arte de viver.

Quando acreditamos ser o fim, é exatamente ali que tudo está começando de novo.


E que bom ser assim, esse fluxo contínuo e infinito. Círculos não se fecham nunca... Sou assim mesmo, gosto de pregar peças e surpreender.
— Muito prazer, Vida! Escancare suas portas para que eu possa entrar!



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