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Encontros e desencontros


Ontem desenhei nosso reencontro de uma maneira um pouco torta e feliz. Sei lá, boy, teve muito riso sabe? E era bonito ver teu riso estampado na tua íris e era patético ver o meu sorriso estático, querendo alcançar as orelhas. Eu te estendi a mão, tímida, e você me puxou para um abraço quente, derretendo-me inteira e me refazendo de novo. Eu era mais eu do que jamais fora.

— Vi quando você chegou, moça. Assim, logo de cara. Minha sala fica bem ao lado da sala de integração e, bem, reconheci teus fios finos e o tique na mão. Você esmagava uma bola imaginária, sabe? Confesso que fiquei um tanto surpreso, porque eu não imaginava te ver tão perto outra vez e sabia que seria questão de dias, se não horas, para esbarrar contigo e ser obrigado a dar um oi.

— Percebi, no segundo dia, lá no refeitório, que você tinha notado minha presença. Teus dedos tamborilavam a mesa e teu ombro estava tenso. Posso até arriscar que você estava se concentrando para não virar na minha direção. Sentei longe, porque não queria te ver, embora quisesse muito...

Você continua linda. Para ser sincero, você está mais linda. Cada ano que passa você consegue ficar mais bonita. Sei lá, tem um quê de mulher em você que não havia antes, e você não está mais tão magra e é bonito ver você mordiscar uma barrinha de nuts enquanto se concentra no computador. Ah, contei não? Sua sala é muito, mas muito perto da minha.

— Mundo pequeno, não?

— Eu diria que o mundo é gigante. Levou anos para que a gente se esbarrasse numa esquina qualquer. Estou feliz de ter você por perto outra vez. Mais do que eu gostaria.

— Sinto tua falta. Assim, não desse jeito que você pensa, pelo menos quero crer nisso, mas sinto falta de você nos detalhes que são tão teus. Da tua voz, bem dizer. Da tua gargalhada. Dessa maneira que você tem de dançar e ser feliz. Das músicas que você canta enquanto caminha.

— Sinto tua falta também. Do jeito inocente que você tem de enxergar o mundo, do jeito doce que você ri e presta atenção, da maneira que você ajeita os cabelos, deixando-os perdidos no chão... Desse teu jeito destrambelhado de viver a vida, tropeçando nos próprios pés e rindo do próprio tombo...

— Que merda a gente perto de novo.

— É. Merda imensa...

Suspiram.

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