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Enquanto você não volta


Eu sei que você se acostumou a partir. Sei que volta e meia precisa de um espaço pra tentar entender tudo o que acontece aqui. Eu sei também que tudo é muito novo e você não sabe como reagir às angústias do amor. Mas eu nunca consigo entender o que é que falta pra fazer você ficar.

Em todas as tuas partidas eu procurei por migalhas suas pra tentar sobreviver com a tua ausência. Preenchi o espaço ao lado da cama com alguns travesseiros. Deixei de fazer as refeições na cozinha e passei a comer alguma coisa pela rua. Não fiz mais o seu estrogonofe. Não me aventurei mais nas suas panquecas. Não inventei mais nenhuma receita de lasanha pra te surpreender.

É que com as tuas partidas eu fui me acostumando a ficar só...mas dói. E cada vez que você volta dói também porque eu sei que uma hora vai. É tudo sempre igual e pra você nada evolui. Eu ainda continuo aqui te oferecendo amor. Você ainda continua aí dizendo que não sabe como lidar com o que eu te dou.

Já te disse inúmeras vezes pra entrar e sentar que tudo se acalmaria. Já te expliquei que a gente nunca vai saber ao certo o que fazer e tá tudo bem. Já tentei te fazer entender que os sentimentos volta e meia atropelam e nos tiram do nosso norte. Mas em todas as vezes você insistiu em afirmar que isso era demais pra você.

Amar é demais? Ou me amar é demais?



A cada vez que você chega e se explica, me faz achar que eu sou demais pra você. E... Ah, se fosse de uma forma boa. Parece que eu sou peso demais pra você, carga pesada de lidar, problema impossível de resolver.

Você não sabe lidar com amor? Ou você não sabe só lidar com o meu amor?

Convenhamos, eu não sou a primeira na tua vida, amor pra ti não é novidade, mas você faz parecer ser. Você vive dizendo que eu não sou capaz de te entender, mas você não faz o mínimo de esforço pra me explicar. Você vive insistindo que não tem porque me preocupar com as tuas idas, mas você nunca fez nada pra poder ficar.

Você gosta de partir? Ou você só gosta de partir de mim?

Eu já joguei a toalha e, cabisbaixa, tentei por um fim nessa história que nunca se desenrola, mas você garante que já passamos da introdução. Eu já tentei achar o desenvolvimento, mas só acabo achando vários finais infelizes.

Finais que vão e voltam. Finais que se tornam inícios redundantes. Finais que acabam mais em reticências...

Você sempre vai e, enquanto você não volta, eu vou tentando escrever mais um pedaço da nossa história com o lápis que você deixou. Mas eu só queria te contar que esses dias passei em uma esquina e, na papelaria, acabei encontrando uma borracha.

E eu só queria te contar que, com uma borracha, eu posso apagar facilmente os três pontos que você continua colocando a cada vez que vai. E eu só queria te dizer que, dessa vez, vai haver um ponto final.

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