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Girassóis

escrito por Mafê Probst




Sinto-me estranha dentro do avião. Flutuo e sou achatada contra a poltrona. É como se eu ficasse leve demais, mas pesada ao mesmo tempo. Gosto dessa sensação, apesar do desconforto. É agridoce voar.

(...)

O céu é cinza e não tem limites. O avião risca o algodão, buscando um pedacinho de felicidade, querendo uma pontinha da imensidão azul para voar sem tumulto. A nuvem abraça o metal. E continuamos subindo.

(...)
O sol invade o interior e faz cócegas na minha retina. Debaixo de nós, as nuvens se abraçam querendo chover. Mas o céu é azulzinho aqui de cima. E infinito. Sorrio. A paz invade o peito e eu permito me cegar por um tempo, fixando meus olhos no sol, aquecendo a alma aqui dentro.

(...)

‘tô decidida à olhar o mundo acima das nuvens. Enquanto voava e me despedia de São Paulo, deixei que a paz me acolhesse e empurrei para longe tudo o que sufoca e todo pensamento ruim. Teve sol por toda parte neste final de semana. Teve abraço, teve carinho, teve querer bem imenso. E foi tão intenso, que não deu para perceber as nuvens que sobrevoavam. E quando choveu, foi alívio – não tormento.

E que assim seja.
E seja (para)sempre.

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