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Nunca olhe o explorar do Instagram

escrito por Jel Sousa

Há muito, circulou nas redes sociais um maravilhoso meme que dizia que olhar a parte de "explorar" do Instagram era uma cilada, pois ali só encontraríamos pessoas magras e ricas. De fato, todas as vezes que transito naquela parte da rede sinto os mesmos desejos: emagrecer para ter a barriga chapada das mulheres que ali aparecem, ser rica para estar naquelas paisagens surreais ou, ainda, uma vontade de comer aqueles bolos vulcões que as pessoas insistem em postar em vídeos torturantes. Mas claro que sem esquecer do desejo da barriga negativa. Que dilema!

Todos nós estamos carecas de saber que as pessoas só mostram nas redes sociais a parte boa da vida. Não preciso repetir. Mas quem foi que disse que saber de algo significa não se deixar abalar?

Ah, meu povo, a subjetividade humana não se importa com isso não. Se é para se sentir mal pela vida ostentação do outro, a gente sente mesmo, tá nem aí pra a racionalidade. Sente, se questiona, pergunta "por que não eu?", julga a própria realidade.

Tem vezes que o ciclo do drama é rapidinho, dura só os segundos de ver a foto e, claro, deixar o seu like. Mas tem umas horas que simplesmente não rola. Parece que tem uma trava que faz com que você não consiga mais abstrair.

Aí chegou o momento de se afastar, né?

Certo dia decidi que não ia mais seguir uma blogueira bem rica. Cheguei no meu limite. Todo dia a danada postava foto de biquíni (com um corpo que julgo incrível, na minha idiotice absurda de ficar julgando corpos alheios como bons ou ruins). Todo dia era um tour por alguma parte da mansão. Todo dia restaurante caro com comidas que nem sei pronunciar o nome. Não deu para mim. Deixei de seguir. Fui mais feliz assim. Esse negócio de ficar alimentando secretamente inveja dos outros, ainda que não seja de caráter destrutivo, não leva ninguém à frente.

Também não sigo musas fitness. Primeiro, porque sou tão fitness quanto, sei lá, Zeca Pagodinho! Segundo, porque não tenho condições de encarar aquele desfile diário de corpos com quase zero gordura corporal, enquanto ostento meu abdômen sarado que insiste em se esconder embaixo de umas camadas de gordura.

E tá tudo bem em se esquivar desse tipo de conteúdo. Se na vida real nos afastamos de quem nos faz mal, porque teríamos que seguir no Instagram pessoas que, mesmo sem saber, abalam nosso amor próprio?

Impor nossos limites é uma forma de carinho com nós mesmos. Vamos nos cercar do que nos motiva a sermos melhores. Já que ter a famosa barriga negativa não é, nem de longe, sinal de que estamos nesse caminho. Tem um botão bem esperto chamado "deixar de seguir".

Use-o sem moderação.



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