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O que você está esperando?

escrito por Mafê Probst

antes de mais nada, dê o play ♥


Eu te encontro por acaso, bebendo cerveja num bar da Augusta. Reconheço de imediato. Eu estava sentada com uns amigos e levanto da mesa inventando uma desculpa qualquer. Caminho lentamente ao teu encontro, tentando apagar cada memória que tenho de nós dois, imaginadas debaixo de um banho quente. Ainda não é hora de me entregar. Não posso transparecer assim, tão facilmente. Tínhamos todo um jogo pela frente.
Você parece surpreso. Mergulho meus olhos nos teus, mordiscando involuntária e levemente a boca. Você passa as mãos pelos cabelos. Eu me aproximo, apresentando-me, sem desviar os olhos. Você desvia primeiro e eu começo vencendo. Um riso me rasga a face. Trocamos dois beijos de bochechas. “Prazer” eu digo. “Com prazer”, você rebate.

Volto à minha mesa, mas escolho outro lugar para me sentar, ficando na tua frente. Você me observa e sorri. Eu cruzo as pernas, lentamente, observando seus olhos acompanharem o movimento. Talvez minha saia seja inadequada para a primavera paulista, mas não me importo. Você, tampouco. Travamos uma batalha de olhares que dificultam a respiração. A tensão torna-se palpável e quase perceptível. Teu jogo estava praticamente ganho. Levanto-me abruptamente e me afasto, entre calores e calafrios, em direção ao lavabo.

A água escorre fria em minha nuca. O frescor alivia, diminuindo o batimento cardíaco. Inspiro fundo três vezes, antes de me recompor por completo. Ergo os olhos e, ao encarar-me no espelho, vejo teu rosto me encarando de volta. Suspiro com o susto. Você se aproxima, sorrateiro e determinado.

Tuas mãos me prendem contra o mármore da pia. Tua boca à centímetros da minha. "Oi", você sussurra. "Oi", eu digo, visivelmente atordoada. Inspiro. Você tem um cheiro bom, o que não facilita as coisas. "Perdida em São Paulo?" você pergunta. "Precisava de outros ares", respondo. Tento me afastar, sem sucesso. Ponho as mãos no teu peito, empurrando para longe, mas você não se move. "Por favor", digo. "Não", você rebate. Fecho os olhos, derrotada. Ouço tua respiração no meu ouvido. "Você não está facilitando as coisas", te falo, entredentes. "Eu sei", você rebate, "não estou aqui para facilitar".

Volto a te encarar. Você me dá uma piscadela que me derrete inteirinha. Todo meu autocontrole desmancha.
— Você é mais alta do que eu imaginava. — você diz, tragando-me com os olhos.
— A recíproca é verdadeira. — retribuo.
— E é mais cheirosa do que eu pensava...

Você inspira próximo ao meu pescoço, sem encostar. Minha cabeça cai levemente para trás, por reflexo. Te encaro com malícia, impossibilitada de segurar meus instintos. Eu estava ficando louca. Num impulso, te beijo o canto da boca. Você suspira. Eu piro. “Com licença”, te digo. Me afasto, te dando as costas. Você puxa meus cabelos, com força comedida. “Ei”, grito. “Espera”, você rebate. E eu espero. Você me encara, com sede. Eu me calo, porque se falo, entrego. Me entrego mais. Desvio os olhos. Você segura meus braços e me leva. E eu me deixo levar.

Você põe minhas costas contra a parede fria. Tem uma mão na minha cintura, outra no meu pescoço. A respiração ofega. A tua. A minha. Tua língua ensaia uma dança. Você vem beijando a base do pescoço até encontrar minha boca, sedenta da tua. Abafo um suspiro que estava reprimido. Tuas mãos desenham minhas costelas, com leveza desconhecida. Teus dedos eram o oposto da tua urgência minha. Minhas mãos querem alcançar você, mas você reprime. Segura as duas, acima da minha cabeça, enquanto beija-me com vontade.

Você solta minhas mãos. “Parada”, você diz. E eu fico. Você sorri. Minhas mãos desobedecem e eu te procuro. Você cede e suspira. E no embalo, te afasto. “Preciso ir”, digo. E vou.

Outro puxão pelos cabelos. Sinto tua boca sussurrar em meu ouvido:
— Você não faz ideia do que eu faria com você. — diz.
Eu te encaro.
— Não, boy, você não faz ideia do que eu faria contigo. — rebato.

E parto.

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