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Uma receita, um texto: para cada prato, uma perspectiva sobre a vida.


Quero começar lembrando que não sou nutricionista, chefe de cozinha, endocrinologista ou nada do gênero. Sou uma apaixonada pela vida que, após a descoberta da S.O.P. (síndrome do ovário policístico ), descobriu o desespero e a solução em um só lugar. Se você não entendeu nada, permita-me começar do início... Ah! também quero lembrar que se você não tem as mesmas condições que eu, tudo bem! As receitas e os textos podem lhe agregar da mesma forma.

Bom, sou a Letícia! Durante toda minha vida, são 26 anos hoje (fevereiro de 2019), tive uma alimentação que considerava tranquila e saudável comparada a alimentações de conhecidos. Tive muitas inseguranças sobre o corpo, acho que bastante gente tem, mas não achei que pudesse ser um problema futuramente.


Minha menstruação — repare como já estamos entrando em uma intimidade sem tamanho! — começou a ser instável, com longos períodos de ausência e quando chegava...longos períodos presente. Até aí não estava preocupada! Que doida! Por fim, em 2016 fui marcada em uma foto no Facebook que estremeceu minha vida: quase 84kgs, medindo 1.57.

Comecei a reparar melhor em mim mesma e meu corpo estava pedindo socorro! A pele acabada, cansaço excessivo, menstruação mais desregulada do que nunca, dores nos seios e nas costas e mais um montão de questões que quem possui S.O.P saberá. Fui ao endocrinologista que, praticamente em 5 minutos, já sabia o que eu tinha, mas pediu os exames para confirmar. E tava lá a danada da S.O.P.! Vários cistos que poderiam me levar a coisas muito sérias como a infertilidade e até o câncer do endométrio. "Você já ouviu falar de lowcarb?" disse o médio. E começou.

Comecei a ler muito sobre o assunto em livros, artigos científicos e, quando me dei conta, já tinha mudado minha alimentação. Em quase 10 meses emagreci 25 quilos!


Mas não só: a mudança da alimentação mudou minha perspectiva sobre MUITAS coisas da vida. Sobre mim comigo mesma, sobre a minha mente e meu coração e sobre todo o externo: pessoas, natureza, mundo. Meu conceito sobre a vida mudou. Que bom. Espero que goste das receitas e do que, automaticamente, vem com elas: meus sentimentos.


TORTA FÁCIL DA VÓ  (lowcarb)

Pra a massa:
- 6 ovos
- 170g de farinha de amêndoas (pode ser de castanha de caju também!)
- 50ml de azeite
- Sal
Bate tudo no mixer ou no liquidificador. Acrescente uma colher de sopa de fermento e mexa com a colher. Coloque em uma forma untada ou antiaderente! Agora prepare a mistura do “recheio”. Uso vagem, cenoura, azeitona, milho e sardinha! (você pode fazer com os legumes que preferir, com calabresa, frango, cogumelos ou só com legumes mesmo). Depois de cozinhar os legumes misture tudo na massa e coloque no forno a 250 graus por aproximadamente 40 minutos.
Sirva igual Antonia: Com amor. 
Antonia? Quem?
ANTONIA ♥


Ah, mas eu tinha que começar falando dela. Antonia! Vó de 6 netos, mulher de garra que perdeu o marido cedo para a violência do mundo, contadora das histórias de família, cozinheira de mão cheia, hoje caminha com dificuldade porque é teimosa demais! Anda pra lá e pra cá sem descanso, limpa a casa todos os dias e cozinha com o coração! Faz um banquete toda vez... ainda que na mesa tenha apenas ela e mais um. Acho que a paixão que tenho pela comida começou por conta dela e sou grata. Pois bem! Quis apresentá-la um pouco melhor para introduzir o que escrevo a seguir.

14 ou 17?

Como pedem para uma adolescente, com 17 anos, escolher o que quer da vida? Na verdade, a pressão, pelo menos pra mim, começou aos 14, quando disseram “agora é o ensino médio, hora de pensar no que fazer, estudar para o vestibular e ser alguém na vida”. O que é ser alguém na vida? Ter um bom emprego? Na minha opinião, ser alguém na vida é questão de estar. Estou no mundo, então sou alguém na vida. Nunca entendi muito bem o que as pessoas queriam dizer com isso, mas a gente vai tentando se encaixar naquilo que nos fazem acreditar e, quando damos conta, saímos do controle e ultrapassamos nossos limites. Emocional, né?

Surgem todos aqueles dados com porcentagens assustadoras de quantos jovens estão em depressão e de como o mundo desandou nos últimos tempos. De quem é a culpa? Fiz exames de aptidão, mas não queria tomar uma decisão baseada em um teste múltipla escolha. Queria decidir pelos meus gostos, por tudo que sentia. Quando ouço alguém cantar, quando vejo uma peça de teatro, ainda que cômica, tenho vontade de chorar. Acho lindo dar vida a uma vida não existente. Vai entender! Então decidi que queria viver uma vida a cada peça, sonho que, mais tarde, deixaria de lado porque a arte era suficiente somente para mim. "Isso não paga conta, Letícia".

Minha vó sempre falou que eu seria a artista da família! Ela fala isso até hoje, mas, como dizem por aí... avó não conta, porque elas vêem graça em tudo que fazemos. Se eu disser que sou atriz, ela sorri e acredita... para Antonia não existem limites. Ela tem 74 anos e continua realizando sonhos!

Dia desses ela fazia aula de artesanato e está correndo atrás de muitas outras coisas que gostaria de ter feito quando moça, mas acabaram sendo deixadas de lado porque a família não tinha condições.
Logo mais tarde ela casou e dedicou o resto dos anos aos filhos que viriam em seguida, tornando-os prioridade.

Após formar todos os filhos, ver os netos crescendo, voltou a sonhar: fez flores de PVC e enfeitou a casa inteira. Eu via sorrisos em cada vaso novo que ela montava. Ali vi um motivo para resistir: Não importa se você tem 14 ou 74 anos. Nunca é tarde para fazer o que ama. Seja no trabalho, seja em casa, seja onde estiver e como for! Busque suas metas, trabalhe para elas, mas não desista.

Um grande beijo ♥

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