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A vida não tem sentido


Sempre busquei dar sentido à tudo, sabe? Nunca fui muito boa com esse lance de “deixar levar”. Deixar ser. Deixar acontecer. Deixar fluir. Sei lá, parte de mim precisava entender e catalogar; sentir e nomear o pulsar. Pensar demais, procurar respostas nas esquina, na vida, nas linhas... Nas entrelinhas.
Eu desenhava planos como se quisesse ser dona da rua – da minha rua. Ideias infalíveis para um futuro sem surpresas. Montava peça por peça de um quebra cabeça complicado, que me mostrava todo o passado e me apontava o que vinha, o que era esperado. Mas ninguém conta que vida não é bem um jogo, e que planos infalíveis tem baixa probabilidade de sucesso... Sabe?

Não recebemos todas as cartas, as peças vivem se multiplicando e mudando formato, e as variáveis são infinitas e impossíveis – de se contar, de se imaginar. A busca do sentido, o trabalho de catalogar se torna exaustivo e longo. Eterno. Tudo muda o tempo todo. E nessa de mudar, preciso me adaptar. Deixar levar. Deixar fluir. Procurar respostas – um dia de cada vez. 

Traçar um plano para viver um dia por vez. Parar. Ponderar. Respirar. Entender o aqui e o agora – e deixar o amanhã para mais tarde, preocupar só quando o amanhã chegar...



Mafê Probst
Engenheira, blogueira e escritora, não necessariamente nesta ordem. Gosta das hipérboles. Geminiana complexa, curiosa e indecisa. Come sushi toda quarta-feira. Coleciona sorrisos, dentes-de-leão, abraços apertados, despedidas de aeroportos e alguns clichês.  Tem um livro à venda. É membro da Academia de Letras de Itajaí, ocupando a cadeira número 7 – Paulo Leminski.

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