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Bem feito, idiota


Bem feito, idiota! Quem mandou não me escutar? Eu avisei, lá no comecinho, que era uma cilada, daquelas bem grandes e terríveis. Você me ouviu? Não! Foi lá e se jogou nessa aventura de ‘amar de novo’. Trouxa.
Disse que seria só uma aventurazinha boba, mas resolveu colocar o caralho do coração no meio e se envolveu o máximo que dava – e ainda mais. Eu queria ser menos rude, porque sei que machucou pra caramba, mas não consigo conter a minha indignação, porque eu te avisei, merda! Eu te avisei não uma, nem duas, nem três vezes. Eu te avisei por meses inteiros, todos os dias, em cada suspiro idiota que você soltava pelos cantos. Ou seja: eu te avisei, ao menos, umas vinte vezes POR DIA. Cê tem noção? Eu-te-avisei-vinte-vezes-por-dia. E você me ignorou vinte e uma.

BEM. FEITO. IDIOTA.



Não adianta agora vir lamentar. Ficar murmurando pelos ventos que não devia ter se envolvido, que devia ter deixado essa história para lá, que ‘onde eu estava com a cabeça quando coloquei o coração no meio?’. Você não estava com a cabeça, baby, porque eu te avisei – por meses, todos os dias, vinte vezes por dia – que era uma cilada, que não se deve mexer naquilo que está ok e não se deve colocar o caralho do coração no meio de uma história. A tua cabeça sempre, sempre, sempre te alertou da cilada. Mas você, como sempre, ignorou-a com sucesso.

Agora aprende a lidar com esse coração partido – de novo. Agora enxuga essas lágrimas e levanta desse tapete. Joga fora toda essa bagunça ridícula que você deixou criar. Sem essa de por a casa em ordem, de por as coisas no lugar. Joga fora. Na real mesmo. Nem remexe muito nas memórias, nem fica cutucando mais a história e relembrando as coisas todas. Põe uma venda nos olhos. Isso! Põe uma venda nos olhos e incinera tudo, sem tempo de revirar tudo e ficar suspirando e mimimi.

Por favor.
Faz o que eu, razão, estou pedindo.

Por favor.
Me escuta dessa vez.

Por favor.




Mafê Probst
Engenheira, blogueira e escritora, não necessariamente nesta ordem. Gosta das hipérboles. Geminiana complexa, curiosa e indecisa. Come sushi toda quarta-feira. Coleciona sorrisos, dentes-de-leão, abraços apertados, despedidas de aeroportos e alguns clichês.  Tem um livro à venda. É membro da Academia de Letras de Itajaí, ocupando a cadeira número 7 – Paulo Leminski.

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