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Bom e velho divã


Para todas as coisas da minha infância que ainda não resolvi, para todos os amores que deixaram sequelas e não deixei para trás. Para a falta que algumas pessoas deixaram. Para os dias de luto que vivi. E pro sentimento de solidão que insiste em me visitar. É para esse buraco enorme que está dentro do meu peito, que eu digo: gosto mesmo é do bom e velho divã.

Que tanto já me acolheu e ouviu junto de uma terapeuta. Era esse móvel que sentia o pesar, literal, do meu corpo. Onde ficavam minhas angústias. As lágrimas. E também as conquistas. Já ri muito por lá, fiz piadas. Mas, no todo, olhando de cima, muito do que me assombrava lá ficou.

Desde que parti, que parei de visitá-lo, outros monstros nasceram. Outros amores morreram, ou melhor, se foram – porque amor que é amor não morre, só é interrompido. A falta e a saudade de estar em um divã tem me assombrado mais do que meus medos. Mais do que toda essa solidão que tenho sentido.

Solidão é algo novo pra mim, porque só é raro estar.
Sou viciada em amor, em amar. Amar cura. E aos poucos me curo com amor próprio. Contudo, cheguei num ponto onde não sei se conseguirei sozinha daqui em diante. A poesia tem ficado carregada. Minha energia se tem se esvaído. E a luta diária, de continuar fazendo tudo, se tornou um peso que não quero mais carregar, sem colocar pra fora e entender de onde é que vem tudo isso.

É que adoro ter e viver em uma abordagem freudiana pra chamar de minha, sabe? É bem mais fácil viver quando se está em terapia, não a terapia em si, mas de mãos dadas com ela. Sem sombra de dúvidas.

Divã é conforto e tortura, o equilíbrio é tempero pra vida.



laura aquino
Geminiana de Franca, interior de São Paulo. Apaixonada por livros, séries, filmes e música. Acredita que a arte move as pessoas para o que elas têm de melhor. Vive no mundo da lua e escreve seus devaneios num emaranhado de palavras que no finala acabam fazendo algum sentido. Ou não.

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