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Essa guerra não é minha!


Não sei como aconteceu. Não lembro onde, quando, nem como me recrutaram, se é que me recrutaram, ou se eu mesma me voluntariei. Sim, assim mesmo, de peito aberto, escancarado, me coloquei nesta situação porque quis, por livre e espontânea vontade.

Quando percebi, lá estava eu, em plena zona de guerra, armada até os dentes, muita munição extra para garantir, me arrastando pelas trincheiras, guerrilhando, pronta para atacar inimigos. Mas... não eram meus inimigos, não eram minhas batalhas, não era minha guerra.

Por que então, eu estava ali?
Talvez o amor tenha que levado até lá. Aquele sentimento infinitamente grande e desajeitado que eu tinha por ti, e eu, insanamente, achei que pudesse te proteger, te defender e lutar em seu nome. Mal sabia eu que cada um precisa brigar suas próprias lutas.

Nem imaginei que você talvez nem quisesse brigar por nada e preferisse ficar ali mesmo, na sua vidinha confortável, zona de conforto, ambiente controlado. Troquei mesmo os pés pelas mãos ao tentar, em vão, ajudar quem não queria ser ajudado. Ah, mas aquele sentimento era espalhafatoso, não cabia em mim e acreditei ser a coisa certa a fazer. Me alistei e fui brigar no seu lugar.

E lutei. Lutei em guerras que não eram minhas. Nunca foram.

Saí chamuscada e machucada. Sangrei. Os hematomas, marcas e cicatrizes foram profundos. Ainda custam a sarar, mesmo depois de tanto tempo. Doem ainda. Sim, ainda hoje doeram. Fiz adversários e rivais, sem que eles nunca tivessem feito nada contra mim. Quando entendi, vi que meus oponentes e opositores, eram seus de fato. Aquele combate não era meu.

Coloquei minha mão no fogo por causas que não me pertenciam. Por causas que eu nem questionei direito. Mas eu não poderia ver seu nome na lama, então fui para o combate, por você, defender sua honra, sem me indagar se realmente não tinha fumaça ali onde o fogo teimava em aparecer. Guerreei sem pensar. Fui para a luta armada só porque tratava-se de você.

Mas, da mesma forma que o amor fez com que eu me alistasse e me colocou naquela guerra, o amor também fez com que eu me rendesse. Me retirasse do campo de batalha. Estendesse a bandeira branca da paz. Mas, desta vez, não o amor por ti, e sim meu amor próprio. Que entendi, a duras penas, deveria ser maior que tudo.

Só esse amor por mim me fez aprender que eu não devo entrar mais em lutas que não são minhas. Que não condizem com meus valores, com meu caráter e minha essência. Se eu me arrependo? Não. Nunca me arrependo do que fiz. Sempre errei por ação e nunca por omissão, disso me orgulho.

 Sempre pelo excesso, nunca pela falta. Além do mais, me ensinaram, desde guria, que eu reconheceria quando fosse amor... sim, eu saberia quando fosse... porque eu travaria as batalhas daquela vida alheia, como se fossem minhas, sem que elas nunca de fato tivessem sido... E assim aconteceu...

Te amei muito, a ponto de entrar naquela guerra por ti... Mas me amei ainda mais, muito mais, a ponto de sair dela...

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