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Eu sou daquelas que chora

escrito por Mafê Probst

Perdoa as lágrimas que escorrem mansas, é que às vezes eu sou meio boba, sabe? Tudo bem, às vezes não... Sempre. Sempre. É, sempre. Tem alguém dentro de mim que não amadurece nunca e uma parte do meu ser gosta – e muito – de comédias românticas, amores impossíveis, novelas mexicanas. Eu sou daquelas que chora.

E estava lendo um livro meio bobo, meio não, bem daqueles que eu a-do-ro por demais da conta. Tinha um casal, lógico. E mais alguma coisa que me envolvia, sei lá porquê, de alguma maneira naquelas linhas redigidas em ordem cronológica, com vocabulário fácil e enredo nada demais, mas tudo de bom, sabe? No desenrolar das frases, das falas, dos encontros e desencontros, fui me envolvendo de tal maneira, que acrescentei mais dois na minha lista de personagens favoritos, mesmo continuando não ter nada demais naqueles dois, mesmo continuando não ter nada demais naquele livro que narra a vida de uma pessoa, quase como uma biografia esquisita.

Então, fui lendo. E lendo. E, subitamente, o autor termina o livro na metade dele, me deixando tola, com um rio escorrendo no rosto e uma incredulidade estampada na cara. Eu folheei com pressa as páginas que seguiam, pra ver se aquilo era aquilo mesmo, e suspirei derrotada ao constatar que sim e que haveria mais 128 páginas de lágrimas e tristezas e “isso não podia ter acontecido”.



Dá raiva sabe moço? Desses livros de finais improváveis e é justamente isso que eu amo tanto neles. Tal como os filmes, garoto, eu gosto de ler coisas que me arranquem lágrimas. Acho mais verossímil essas linhas gordas de dor, mesmo com toda piada embutida. Patético, certo? Inclui aí na lista, mais uma das muitas coisas malucas: Oi, ‘to querendo um livro novo... Tem algum de chorar? Ri-dí-cu-lo.

E só não entro em detalhes, revelando que esses livros que choro, eu releio e choro de novo, porque seria meio vergonhoso, meio masoquista. Infantil. É. Tem um lado meu que não cresce nunca.



Mafê Probst
Engenheira, blogueira e escritora, não necessariamente nesta ordem. Gosta das hipérboles. Geminiana complexa, curiosa e indecisa. Come sushi toda quarta-feira. Coleciona sorrisos, dentes-de-leão, abraços apertados, despedidas de aeroportos e alguns clichês.  Tem um livro à venda. É membro da Academia de Letras de Itajaí, ocupando a cadeira número 7 – Paulo Leminski.

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