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O tempo só dói o necessário para nos fazer amadurecer.



Estou há alguns dias com algumas decepções entalada na garganta. A inquietude de tudo à minha volta, seja na rotina acelerada ou no silêncio dessa casa vazia, me fazem desejar acelerar os segundos para que o coração se regenere e com ele as dores — que aqui fazem festa como se ainda fosse carnaval.

Quando a maturidade nos alcança tudo se transforma, dizem os antigos.
— Mas quanto tempo até o tempo parar de doer?

Impossível ter exatidão pra isso. Cada um tem seu próprio tempo e quem pode dizer se ele já chegou ou se demorará a chegar? Se tivéssemos essa resposta, com certeza já teríamos manipulado e vendido no mercado livre.

Ainda dói, e talvez vá doer por um longo tempo, mas não para sempre. Nada consegue ser eterno a esse ponto. Talvez seja esse o segredo da maturidade: saber que as despedidas doem, mas é uma dor necessária. Ela vem com dosagem alta, mas logo em seguida traz também o consolo.

— Consolo?

Sim, o consolo de saber que viver aquilo foi suficiente. Uma lição? A parte que magoa até pode sair "impune", mas nós, que ficamos de cara com a dor, teremos sempre a certeza de que doeu, mas não fomos nós quem feriu. E sobre nossas próprias feridas? Elas irão cicatrizar. Então iremos ter na pele o preço de alcançar a tal da maturidade.

A moral de tudo isso? Uma consciência limpa não tem preço, mas requer maturidade. E só crescemos, de fato, em meio a dor.




RE VIEIRA
Uma escorpiana formada em direito, apaixonada pela vida, pelas palavras, por músicas e pessoas legais. Ela acredita que a vida é um sopro e, por isso, escolheu sobreviver jogada na adrelina de uma rotina nada organizada, andando por aí de mãos dadas com a liberdade.


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