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tem amizade que não se entende e não se explica

escrito por Mafê Probst

A gente não precisa rotular. Catalogar, etiquetar... Não. Nada. Tudo bem se faltarmos com as formalidades de bom dias, boa tardes, boa noites. Tudo bem se não perguntarmos “tudo bem?” e tudo bem se começarmos a falar sem qualquer pergunta. Não precisa, sabe?

Existe um reconhecimento de área nas linhas pretas. O jeito que se usa a pontuação significa se está muito bem, muito alegre, de TPM ou muito mal – acostuma-se facilmente a reconhecer os sinais virtuais quando a presença não pode ser constante. Os silêncios são compreendidos. Sabe-se. Ponto. Não precisa um questionário de porquês. Sabe-se. Entende-se. E tudo bem, sabe?
Acho bo-ni-to. Assim, cheio das pausas.

Gosto da intimidade, das palavras duras em voz de veludo, das verdades faladas sem rodeio algum. Gosto das broncas sutis, do carinho que emana em cada pedido de cuidado. Do zelo. Das coincidências quando uma mensagem é mandada em cada um “abri tua janela agora”. São acasos que não se entendem. São amizades que não se explicam. Só são, sabe?

Mas, de tudo, eu gosto mesmo é quando tem presença. Quando tem troca de olhares que calam, troca de olhares que se abraçam, troca de olhares que dialogam um mundo inteiro em frações de segundos. Gosto quando tem abraço, quando tem piada interna falada em voz alta, quando tem cerveja e conversa na escada, e quando os palavrões e xingamentos são sinônimos de carinho e querer bem. Sabe?

Eu sei. E sei bem. E que bom que sei. Sabemos.



Mafê Probst
Engenheira, blogueira e escritora, não necessariamente nesta ordem. Gosta das hipérboles. Geminiana complexa, curiosa e indecisa. Come sushi toda quarta-feira. Coleciona sorrisos, dentes-de-leão, abraços apertados, despedidas de aeroportos e alguns clichês.  Tem um livro à venda. É membro da Academia de Letras de Itajaí, ocupando a cadeira número 7 – Paulo Leminski.

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