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TUYO - Mais que uma banda, um abraço musical.


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Não lembro bem do dia, mas sei que estava fazendo alguma outra coisa enquanto uma playlist qualquer de música brasileira rolava ao fundo. Os fones, como sempre, no último volume. A cabeça, como sempre, no último suspiro de lucidez.

Aí eles apareceram.

Descobri mais tarde que orgasmo musical é algo real e, então, eu soube que foi exatamente isso que aconteceu. Os olhos marejaram, a garganta fechou, os pelos arrepiaram e o que quer que eu estivesse fazendo naquele momento passou a ser o segundo plano. Eu precisava conhecer os rostos donos daquelas vozes.
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Eram três. Mas eram um. Eram harmonia. Eram dor. eram eu. Eram nós. Tanto os pronomes quanto os nós propriamente ditos que a vida nos dá enquanto tentamos sobreviver aos dias. Eram resistência. Resiliência. Aquelas vozes eram e ainda são o suspiro profundo no meio do caos que é existir.

Repeti. Uma, duas, dez, mil vezes. Segui. Acompanhei. Ouvi. Sorri. Chorei. Resisti. Sobrevivi. Vivi pra ver o dia em que as vozes e os rostos sairiam da tela numa noite aleatória da cidade cinza. Aconteceu. Correria. Ansiedade. Curiosidade. Como será a energia? Será que foi só momento?

A noite chegou. A porta abriu. A cortina rígida subiu na esquina da avenida e então eles chegaram. E aconteceu. Foi doído. Foi doido. Foi lindo. Foi sol no escuro do meu céu nublado. E iluminaram não só o palco, mas os segundos, minutos, horas de todos que cantavam a peito aberto.

Arte. Ar. Respira. Grava? Não. Curte. Aproveita. Isso é arte. Isso é amor. Isso é o que há de mais puro no criar. E foi isso que eu senti ontem.
acervo pessoal @trechosdagi
Enquanto as luzes piscavam no palco distante. Enquanto a fumaça invadia meus pulmões. Enquanto os olhos inundavam. No canto da pista escura, no banco alto, no canto da parede, sentindo o amargo do álcool na garganta. Enquanto a voz saía pelos poros abertos e pelos espetados.

Porque eram três. Mas eram um. Eram harmonia. Eram dor. Eram eu. Eram nós. E todos os nós se desmancharam.





GISELLE FERREIRA
Escreve para não enlouquecer e jura que tem funcionado. Na dúvida, canta também. É feminista, bissexual, afrontosa e defensora do respeito mútuo. Carrega Pernambuco no sangue enquanto seu coração bate em São Paulo. Troca qualquer balada por um cantinho com amigos e um violão.

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