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A gente passa a vida em busca de alguém para amar


feat. com Fernando Suhet 

Ela decidiu que partiria assim que amanheceu. Não restavam dúvidas. Saiu da cama, tomou uma ducha e arrumou as malas. Jogou tudo ali: roupas, perfumes, angústias e saudades. Do outro lado da cama ele amanheceu como se faltasse um pedaço seu. Uma das suas melhores partes havia resolvido fazer parte do seu passado quando o sol nasceu. Um amor que foi arduamente alimentado para nascer, hoje resolveu morrer por mais uma briga boba. A gente passa a vida em busca de alguém para amar. E num estalo de dedos nos esquecemos que amar é sinônimo de saber cultivar. Faltou adubo. Faltou carinho, faltou paciência, faltou tolerância. Faltou amor.
Doaram-se ao máximo nos primeiros dias, mas permitiram que a rotina tomasse conta. O amor ficou escasso e as memórias infinitas. Não dava mais para viver debaixo do mesmo teto. Ele não era mais o homem por quem ela tinha se apaixonado. E ela já não era a mesma daquele dia que os olhares se cruzaram. Todos os 'para sempre' que foram ditos voaram. Era hora de entender e aprender com o tempo. Com a solidão. Com a saudade. Com os dias que nunca terminam. Com os pensamentos em uma mesma pessoa. E com os olhos perdidos no que poderia ter sido e não foi.

Mesmo que não tenha sido para sempre, tudo aquilo que fez um coração bater mais forte fica na memória, numa música ou num sorriso. E mesmo que o final da história não tenho sido feliz, lembranças e carinhos fazem valer a pena todo o tempo junto de alguém.

Ela decidiu que partiria assim que amanheceu. Do outro lado da cama ele amanheceu como se faltasse um pedaço seu. Quando ela sair pela porta uma lágrima vai escorrer. Não por ter deixado um pedaço de um futuro incerto para trás. Mas pela coragem de ir ao encontro de uma nova possibilidade de ser feliz.

Afinal, todo mundo merece ser feliz, mesmo que pra isso os corações sejam separados.




Mafê Probst
Engenheira, blogueira e escritora, não necessariamente nesta ordem. Gosta das hipérboles. Geminiana complexa, curiosa e indecisa. Come sushi toda quarta-feira. Coleciona sorrisos, dentes-de-leão, abraços apertados, despedidas de aeroportos e alguns clichês.  Tem um livro à venda. É membro da Academia de Letras de Itajaí, ocupando a cadeira número 7 – Paulo Leminski.

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