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Amores improváveis

Fernanda Amorim feat. Laura Aquino
Ela chegou devagar, como se ninguém fosse notar aquela presença ímpar no seu jeito de escrever textos que tocam o coração. Fui me apaixonando a cada novo enredo. Aos casais que ela descrevia. E aquele sotaque, quando ela emite pela voz seus pensamentos. A nós pertence um dia da semana, o qual não sabemos mais ficar sem, nem existir separadas. Nos tornamos um parzinho bem bonito. Só que ela não se apaixonou tanto quanto eu... Sigo a esperar a cura (risos).

Ela é bem daquelas que fazem a gente se apaixonar e ficar admirando cada palavra, cada movimento, cada respiração. Ela é poesia pura e dança com a arte que a embala. Ela arranca suspiros e uma vontade genuína de querê-la por perto. E a gente foi se aproximando porque eu não saberia me manter longe dessa mulher. Ela é daquelas que trazem a gente pra perto e faz a gente pedir abrigo e querer colo.

Eu sei, eu sei... Formaríamos um belo par. Apesar do meu signo ser o inferno astral dela, parece que eu faço mais céu em sua vida. E eu me esforço pra lhe trazer paz, trazer afeto e todo amor que cabe em meu coração, mas, por ironia do destino, o meu amor é ilimitado e, ao mesmo tempo, barrado em algum “querer”.

Ela é o inferno astral mais bonito, mais tranquilo, mais cheio de graça. A gente se entende, mesmo sem nunca termos nos olhado nos olhos. Temos nossas piadas internas e ela confia tanto em mim, que me encarregou de chamá-la pra Terra aos finais de semana. E eu confio tanto nela que conto segredos pra que ela puxe minha orelha quando preciso. Ela me arranca suspiros. Ela me traz saudade. E a maior vontade é de fazê-la caber no meu abraço e oferecer a ela o que ela precisar.

Eu queria me entregar a esse abraço que ela tanto oferta, queria que ela suprisse tudo o que falta aqui no meu coração. Queria, porque eu sei que ela é capaz de fazer os amores mais quentes brotarem e fazer com que os laços jamais precisem ser desfeitos. Ela acalentaria meu coração com a sua voz serena. Ela tranquilizaria minha mente conturbada me fazendo rir de seus desastres diários. E, eu sei, ela iria passar a esquecer a carteira mais vezes só pra poder me contar depois, vendo as inúmeras gargalhadas que eu daria por seus feitos.

Mas o fato... O fato é que eu sou hétero e essa mulher jamais seria minha assim. Jamais? Há quem diga que héteros 100% héteros não existem. Seria eu, então, a cura hétero? Seria ela então, a minha cura hétero?

Eu esqueceria a carteira mesmo, pra gente poder rir junto e ela me lembrar as quatro frases bases da oração que fazemos. E a faria feliz, a acompanharia nos dias tristes — porque não dá pra ser feliz o tempo todo, nós sabemos disso. Mas a certeza de nos termos nos faria estar em paz.

No entanto, quis a vida que fôssemos diferentes no gostar natural do amor que se concretiza no toque, no viver como casal. E, querendo ou não, nós somos felizes em apreciar essa amizade e a vivê-la com a intensidade que cada uma tem.

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