às vezes, no silêncio da noite

escrito por Mafê Probst
Gosto quando a insônia me acorda para um passeio.
Ela entra de mansinho em meu quarto, descobre meu rosto e toca, delicadamente, minha face. Beija-me a testa e sussurra: "Acorda menininha, vem comigo". Senta-se na beirada da cama e aguarda o resto de sono ir embora, e as pálpebras ficarem abertas. Sorrio.

Olho no relógio: três e meia da manhã.

Relutei para não ligar a televisão e me embebedar com seriados. A insônia sente-se insultada quando a troco. É como se a ignorasse. Não. Queria a companhia dela tanto quanto ela queria a minha.

Gosto quando a insônia me acorda para um passeio. O silêncio noturno tem sua beleza e revela seus segredos. Ou, melhor, os segredos dos seres que se aproveitam dele...

— Psiu, escute. És capaz de ouvir os sonhos alheios...



Mafê Probst
Engenheira, blogueira e escritora, não necessariamente nesta ordem. Gosta das hipérboles. Geminiana complexa, curiosa e indecisa. Come sushi toda quarta-feira. Coleciona sorrisos, dentes-de-leão, abraços apertados, despedidas de aeroportos e alguns clichês.  Tem um livro à venda. É membro da Academia de Letras de Itajaí, ocupando a cadeira número 7 – Paulo Leminski.

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