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O tempo passa. E eu também


Sabe meu bem, o tempo passa, e eu também. Passo pela vida, pelos momentos, pelas pessoas, assim como eles passam por mim. Somos uma sucessão de passes, repasses e transpasses. Somos nuvens se cruzando a todo o tempo no céu.

Das minhas andanças pela vida, já vi muita coisa. Não vi tudo, afinal, não tenho tempo nem idade para isso, ainda sou muito jovem, tem muito mundo pela frente. No entanto, vi bastante, e desse bastante percebi que várias coisas me bastam, e outras não.
Me basta ser eu. Essa abastança, a mais difícil de conseguir. Doeu e ainda dói, mas a cada olhada no espelho em que me vejo, assim, com rugas aparentes que não estavam ali, com fios de cabelos brancos que insistem em aparecer, com o tempo que passa, e passa, e passa... percebo o tanto que vivi, e sobrevivi.

Sabe meu bem, eu não sei o que imaginei que seria da minha vida neste momento. Imaginei algo, com certeza. Toda criança o faz. Pinta cenários de rainha, com castelos, príncipes, ou no mínimo, emprego fixo e uma relação saudável.

Meu emprego fixo? O que estou agora. Não me prendo mais a lugares, mas à experiências. Que durem o quanto devem durar. Levo meu melhor para cada um deles, levo meu melhor para onde for. Não me contento em ser minha versão meia boca. Tudo bem, nem sempre estou cem por cento. Esses dias mesmo deixei a coroa cair, sentei nos pés e me permiti pensar tudo o de ruim que quisesse. Felizmente, eu mesma não acreditei, levantei, ajeitei a coroa e fui viver.

Se tudo passa, e passa, com certeza, tento aproveitar sabendo que acaba. É claro, às vezes quero segurar o momento, mas os grãos de areia escorrem e se vão. Não é fácil viver, ainda mais em uma época em que o tempo parece ter rodinhas, e roda para longe de nós.

Desculpe pela divagação, desabafo, meu bem, mas saiba que, às vezes, é preciso colocar para fora. Ninguém aguenta manter as palavras e sentimentos trancafiados. Eles querem sair, no melhor estilo "Bolsa Amarela", aquele livro, sabe?

Falando em livro, não deixo de ler aquele que você me deu. Com a capa vermelha, aquelas letras douradas. O livro que começou tudo. A sede por saber mais, por criar mais, por almejar mais. Sempre tem um ponto, um marco inicial. Este livro foi o meu. Foi minha salvação de mim. Às vezes, só a arte salva. A literatura, o cinema, a criação. Às vezes, é preciso um novo olhar para poder se olhar novamente.

As palavras se foram, assim como eu, estão agora perdidas, ganharam vida no papel. Temo que devo ir agora, meu tempo está acabando. Não tema meu bem, eu volto. Só que, quando voltar, te garanto, não serei mais a mesma.



carol pedrosa
Ariana, apaixonada pela vida e pelas palavras. Não acredito em definições, mas em transformações. Em ser cada dia uma versão melhor de mim mesma. Em viver no agora, sem medo de arriscar. Acima de tudo, acredito no amor. 




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