icones sociais

Qual seria teu efeito borboleta na minha vida?

Hoje li um texto que falava sobre a máquina do tempo e a vontade imensa de voltar lá atrás e ajustar algumas coisas do passado. Bizarramente, dessa vez, eu não desejei voltar, tampouco fazer diferente. Mas fiquei pensando: e se naquele dia eu não tivesse ligado? E se, naquele dia, eu tivesse só sentado e esperado – que fim teríamos dado?

Entendo aquele dia como parte crucial da minha história. Da nossa história. Amadureci na marra, precisando vestir umas armaduras que eram pesadas demais. Foi nesse dia – e no período que seguiu depois – que aprendi a engolir o choro, como tantas vezes minha mãe tentou me ensinar. Ainda lembro o tanto que os olhos queimavam e como o corpo inteiro doía para segurar as lágrimas que eu precisava derramar.

Tudo mudou depois daquele ‘se’.

A vida virou do avesso, nós viramos dois estranhos tentando se reencontra e se reconectar. Meus caminhos seguiram outras trilhas depois daquele dia, meu destino foi traçado para outro lado. Faz tempo que eu parei de alimentar os ‘ses’, mas hoje me peguei pensando em todos eles – só por curiosidade, não por saudade ou pesar.

Será que teríamos seguido por muito mais tempo? Será que estávamos fadados à um fim, talvez não tão trágico e dolorido? Será que nossa vida teria outro rumo e eu teria deixado de conhecer as tantas outras pessoas que apareceram no meu caminho só por você não fazer mais parte dele?

Eu sou tomada por interrogações que nunca terão respostas.

Minha curiosidade aprendeu a conviver com essa falta de spoiler e hoje vivo em paz – com o passado, com meu presente, mas gosto de relembrar os dias antes do fatídico “se”. E gosto de desenhar enredos – tantos! – para os dias que seguiriam se não fosse eu ter te ligado e você ter atendido e tudo ter acontecido exatamente como aconteceu...

Nota: eu precisava fechar com música.




Mafê Probst
Engenheira, blogueira e escritora, não necessariamente nesta ordem. Gosta das hipérboles. Geminiana complexa, curiosa e indecisa. Come sushi toda quarta-feira. Coleciona sorrisos, dentes-de-leão, abraços apertados, despedidas de aeroportos e alguns clichês.  Tem um livro à venda. É membro da Academia de Letras de Itajaí, ocupando a cadeira número 7 – Paulo Leminski.

Comentários

Instagram