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A gente pode transformar o adeus em até logo?


Antes de qualquer coisa eu só quero te dizer que eu sei que isso não é mais possível. Sei que somos como um par de sapatos velhos de uma criança de cinco anos... Não serve mais. Sei que mudamos e que nossos erros já não são mais os mesmos, que alguns dos nossos defeitos foram melhorados e, quem sabe, outros acabaram ganhando mais ênfase.

Já faz um tempo que você fechou a porta daquele imenso quarto alugado, me dando um beijo lento recitando o adeus que eu tanto quis adiar. Eu sei que precisávamos partir, mas eu nunca quis te deixar ir. Arranjei desculpas para os erros, tentei tampar – inutilmente – as falhas. Tentei fazer que superássemos tudo aquilo que nos afastava, mas é que algo que afeta dois não pode ser resolvido por um só – e eu tentei sozinha.

Eu sei que isso parece um texto de “volta pra mim”, mas, na verdade, é só um texto querendo a sua volta. Sei que nós dois já não é algo mais possível, sei que os poucos quilômetros que nos afastaram, há quase um ano, foram decisivos para que deixássemos de ser uma soma. Mas é que você faz falta aqui, mesmo não sendo mais nenhuma equação.

Não é que eu quero nós, eu só quero eu e você como éramos antes de tudo acontecer. Eu quero aqueles passeios de carro acompanhados de 3030 e de danças inusitadas. Eu quero as nossas rimas desajeitadas e nossas risadas intermináveis depois de um surto pequeno de felicidade dentro do automóvel. Eu quero parar no semáforo e morrer de vergonha por te ver fazendo careta para a criança do carro ao lado. Eu quero o bem estar que você me propicia sempre que estamos juntos – mas não sendo juntos.

É egoísmo demais te querer assim? Juro que fico aqui também quando as coisas apertarem e te levo pra comer sushi sempre que sobrar mês no fim da grana. Juro ainda te abraçar quando você quiser chorar e tentar te fazer rir quando você estiver irritado. Eu posso ser alguém que te ouve também, mas eu queria que você fosse o alguém que ainda me fizesse feliz.

Olha, eu sei que nós dois juntos já não é mais possível. Mas eu queria transformar aquele adeus de fim de julho em até logo de todos os meses dos próximos anos.



fernanda amorim
Taurina com ascendente em touro. Intensa, sonhadora e teimosa. Formada em letras, professora de língua portuguesa, apaixonada pela vida e amante das palavras.

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