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Como esquecer um grande amor?

antes de mais nada, aperta o play ♥


Já faz quase oito meses. Eu nunca mais tive notícias suas.

Para a maioria das pessoas esse é um tempo razoavelmente bom. Tempo suficiente para esquecer alguém, diziam as minhas amigas. Mas esquecer um grande amor não é tão simples assim. Eu até tentei. Juro que tentei. Mas às vezes eu me pego pensando em como você está nesse momento.

Até que eu melhorei bastante.

Consegui terminar a série que começamos a ver juntos, sem me sentir culpada de ver sem você. Embora, confesso, pensei te ligar várias vezes, para saber o que você estava achando. Mas, sempre que isso acontecia, corrigia meus pensamentos e, até então, estava indo tudo bem.

Só que, ontem, parece que me foi arrancado com as unhas a casquinha de uma ferida que já estava cicatrizando.

Era por volta de dezenove horas quando Lorena me mandou uma mensagem convidando para ir num Pub novo que abriu na cidade. Pensei em várias desculpas para não ir, mas ela já conhecia todas elas. Tentei ser sincera e dizer que não estava afim, mas essa, pra ela, era a resposta mais inaceitável. Assim, por livre e espontânea pressão, aceitei o convite.

Coloquei aquele meu vestido azul que você dizia parecer infantil. Passei um batom vermelho porque, no fundo, eu também me achava uns cinco anos mais nova com ele. E, para sua irritação, que odiava minha combinação de cores, coloquei aquele scarpin vermelho que você me deu ano passado — seu último presente para mim.

Chegando lá, conseguimos apenas a mesa ao lado do pequeno palco, onde uma banda se apresentava. Até que fiquei feliz, pois eu não estava muito afim de socializar e o som alto não deixava eu ouvir a Lorena direito.

Quando a banda começou a tocar eu fiquei mais animada. Cantarolei umas músicas. Por alguns minutos, achei que eu pudesse estar voltando ao que eu era: a pessoa alegre, sorridente, brincalhona e de bem com a vida.

Mas, por volta da meia noite, após uma pausa pra água, o vocalista volta com um violão. Imaginei que fosse qualquer música em versão acústica. Mas quando ele começou a tocar, fiquei paralisada. Era Black, do Pearl Jam. Eu ainda não tinha estrutura emocional para ouvir aquela música.

Fiquei tonta, olhei ao redor e vi muita gente — vários casais abraçados. Eu estava tentando conter as lágrimas quando o pior aconteceu. Na pior parte da música:

I know someday you'll have a beautiful life, I know you'll be a star in somebody else's sky, but why? Why? Why?
(Eu sei que algum dia você terá uma vida linda. Eu sei que você será uma estrela no céu de outro alguém. Mas Por quê? Por quê? Por quê?)
E no terceiro "why" sofrido do vocalista, no meio da multidão, eu te vi. Você era um daqueles casais abraçados. As lágrimas já eram impossíveis de controlar. E eu só consegui completar baixinho:

Can't it be, oh can't it be mine?
(Não pode ser, oh, não pode ser meu?)




alana verdi
Itajaiense e apaixonada pela vida. Se eu fosse me resumir em 3 palavras seriam: intensa, sentimental e desastrada. Gosto de coisas simples, enxergar o lado bom de cada coisa e exercitar a gratidão. Escrevo sobre tudo o que faz meu coração florescer.

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