icones sociais

Estudo de caso


Ela não é uma pessoa comum. Pelo contrário: é peça rara, joia preciosa e ser excepcional com que não esbarramos facilmente por aí. O que ela consegue fazer não é desse mundo. É simplesmente extraordinário.

Acho que os cientistas deveriam estudá-la a fundo, sabe? Seria justo se um dia alguém a pegasse para fazer um estudo de caso. Precisam decifrar como é possível alguém conseguir fazer tantas coisas ao mesmo tempo e todas elas com tanta maestria.

Como ela consegue desafiar assim, descaradamente, as leis e princípios da Física e estar em tantos lugares ao mesmo tempo? Como dá para abraçar tanta gente e aninhar com tanta dedicação, se ela só possui dois braços?

Como seus pensamentos conseguem lembrar de cada detalhe, minuciosamente, como ela pode estar antenada em tudo que se passa ao seu redor e além, se ela não descansa durante o dia e nem dorme durante a noite? Será que ela é desse planeta? Será que ela tem defeito de fábrica ou poderes sobrenaturais? Deveriam ver isso a fundo.
Como ela adivinha nossos pensamentos e diz exatamente o que a gente precisa ouvir no momento certo? Ou tem bola de cristal ou um feeling extremamente aguçado.

Como ela consegue ter olhos falantes? Sim, as palavras brotam pelas pupilas da criatura: é capaz de dar sermões inteiros sem pronunciar um vocábulo sequer. E a força que ela tem? Deixaria qualquer super-herói de queixo caído. Ela carrega nos ombros e nas costas o peso de um mundo inteiro se preciso for.

Como é esse dom ou talento que ela tem de sentir a dor alheia? Deve ter passado na fila da empatia centenas de milhões de vezes antes de chegar neste mundo aqui.  Outro dia a vi com as mãos trêmulas e perguntei o que havia acontecido com ela. Ela disse que com ela estava tudo bem, mas aquele tremor advinha do meu medo.

Quando ela fica com falta de ar e não consegue respirar direito, também não é nada com ela: é meu desespero nela refletido. A dor que ela sente, vez ou outra, não é por conta de nenhum machucado ou hematoma que ela tenha: são as minhas feridas que doem e sangram mais nela do que em mim mesma.

E quando a flagramos chorando, as lágrimas que dela vertem também não tem ligação direta com ela: ela chora pela tristeza que é minha. Nos momentos de êxtase e alegria, quando ela sorri e gargalha, ela está, na verdade, feliz pelos meus feitos, por minhas vitórias e superações.

Precisam mesmo descobrir urgentemente como esse ser, mais conhecido como mãe, consegue sobreviver tendo seu coração batendo fora de seu próprio peito: seu órgão vital pulsa mesmo dentro do legado e da descendência que ela trouxe para este mundo.

É ou não material farto para um estudo de caso bem aprofundado?



ana paula del padre
Administradora. Capricorniana Mãe. Mulher. Intensa. Não necessariamente nesta ordem. Se encantou pela beleza das palavras desde cedo, mas, pelos atalhos no caminho, acabou seguindo outros rumos. Agora, aos 40, com o turbilhão de sentimentos que a maturidade traz, as palavras brotam sozinhas e espontaneamente. Adora desafios, filosofia, pôr-do-sol, abraços apertados, conversas longas e decifrar entrelinhas.

Comentários

Instagram