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Eu não me encaixo

escrito por Mafê Probst


Desculpa, mas não me encaixo.

Tentei, de todas as formas, me encaixar. Achei que seria algo natural e óbvio, que fluiria facilmente e que me adaptaria na certa. De verdade? Julguei que fosse parte minha, que eu era desse jeito e que ficaria tudo bem. Mas não fica, sabe?

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Eu tentei seguir o protocolo, busquei inspirações por todos os lados e vi, de fato, muita gente inspiradora. Mas percebi – será que tarde? – que olhei para todos os lados, menos para o lado de dentro. Eu não vi o tanto que isso foi me consumindo, não vi o tanto que isso foi me tirando do caminho, não vi quando entrei num modo automático onde eu era todo mundo: menos eu, menos minha.

Nunca fui assim, sabe? Sempre escrevi o que eu tinha vontade (e quando tinha vontade), falei minhas experiências e dividi algumas novidades, mas dentro do meu tempo, dentro daquilo que acredito, dentro daquilo que, de fato, me inspira e me move. Mas nessa busca incessante por likes, nessa busca incessante por crescer – crescer pra onde? – e aumentar mais números, descobri que me perdi e tentei seguir receitas prontas que podem funcionar para muita gente, mas não para mim.

“Você precisa por mais fotos”, disseram. “Você precisa produzir mais”, insistiram.

E eu, perdida como estava, aceitei. Porque quando a gente está perdido, qualquer indicação de caminho parece a certa, não é? Fui me consumindo e percebendo como aquilo me bloqueava e sufocava – as ideias, o pensamento, a criatividade e até mesmo a própria vontade, porque machuca demais TER QUE alguma coisa, quando o coração quer outra.

Escrever o que dá like, e não o que se sente. Fazer foto do look do dia, montada no salto e na maquiagem, sentindo o bolso pesar por investir tanto nisso, sendo que o que faz meus olhinhos brilharem é uma tarde de domingo com preguiça, pipoca e pijama quentinho. Onde foi que disseram que não posso compartilhar disso?

Chega!

Apenas chega. Está na hora de parar de correr atrás dos outros e de olhar para outros trilhos. Devo focar no meu, como sempre fiz. Seguir meu ritmo, minha paisagem, minha verdade e minha história – seguir minha vontade, mas sem hipocrisia.

Eu sei que devo seguir uma rotina, sei que devo me exigir desde que decidi transformar um hobby num ofício. Mas, sendo chefe de mim mesma, não posso mais me deixar de lado, seguindo padrões e cobranças que não são minhas e que não casam comigo. Fazer por fazer, estar por estar, encaixar por encaixar.

Quantas vezes fazemos algo porque “todo mundo faz”? Quantas vezes nos deixamos de lado?

Vamos seguir nessa loucura até quando?



Mafê Probst
Engenheira, blogueira e escritora, não necessariamente nesta ordem. Gosta das hipérboles. Geminiana complexa, curiosa e indecisa. Come sushi toda quarta-feira. Coleciona sorrisos, dentes-de-leão, abraços apertados, despedidas de aeroportos e alguns clichês.  Tem um livro à venda. É membro da Academia de Letras de Itajaí, ocupando a cadeira número 7 – Paulo Leminski.

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